Dilma admite problemas na economia e considera mudanças na equipe se reeleita

Dilma admite problemas na economia e considera mudanças na equipe se reeleita

Em discurso nesta quarta-feira (3) em Belo Horizonte (MG), a presidente Dilma Rousseff (PT) admitiu problemas na política industrial e no avanço da economia e disse que, se reeleita, irá mudar algumas ações e integrantes de sua equipe.

 

"Obviamente, novo governo, novas e, necessariamente, atualização das políticas e das equipes", disse a presidente, diante de representantes da indústria presentes na abertura da 8ª Olimpíada do Conhecimento 2014, na capital mineira.

"É possível que alguns de vocês, na atual conjuntura, quando a incerteza do cenário internacional se mistura com o debate eleitoral, questionem a eficácia dessa nossa política (...) Eu gostaria que o Brasil estivesse crescendo num ritmo muito mais acelerado. Mas (...) imaginem o que aconteceria se nós não tivéssemos tomado essas medidas."

Antes dessa declaração, Dilma falou da necessidade de investimentos na educação para reduzir a desigualdade e ampliar a renda da população. Enalteceu ações federais, como os cursos do Pronatec e o que chamou de "política industrial", numa referência aos jovens formados nessas aulas profissionalizantes.

E, em tom de campanha eleitoral, admitiu que há muito o que fazer.

"Eu não quero, aqui, dar a impressão que eu acho que tudo foi feito. Eu não acredito nisso, acho, inclusive, que vivemos uma situação bastante complexa na indústria."

Ela, entretanto, saiu em defesa das ações do governo na indústria, cuja produção cresceu 0,7% em julho, após cinco meses seguidos de queda, segundo dados do IBGE.

"Só me pergunto e pergunto a vocês o que seria se nós não tivéssemos tomado as medidas que tomamos na área industrial e no reconhecimento que a indústria é estratégica para o país e que uma política industrial é necessária", disse a presidente.

Dilma também defendeu a participação de bancos públicos na economia do país, citando o financiamento habitacional de imóveis populares por meio do Minha Casa, Minha Vida.

"Não há condição de fazer habitação popular a preços de mercado, porque a pessoa que ganha R$ 1.600 não tem como comprar um apartamento de R$ 60 mil (...) Com isso (...) eu não vejo justificativa para que a gente retire os bancos públicos dessa atividade. Não vejo justificativa."

A fala da presidente em Minas é sua primeira sinalização de que faria mudanças em sua política de governo e em sua equipe num eventual segundo mandato, algo que o ex-presidente Lula vem aconselhando que ela faça desde o início do ano.

Na semana passada, interlocutores de Lula voltaram a defender que Dilma emitisse sinais de ajustes em políticas e equipes para um próximo mandato diante do novo cenário eleitoral, com o crescimento de Marina Silva (PSB) nas pesquisas.

Na visão de petistas ligados a Lula, esta sinalização seria fundamental para reconquistar o apoio do empresariado e, também, mostrar ao eleitorado que ela fará mudanças num eventual segundo mandato. A pesquisa Datafolha mostra que 79% do eleitorado deseja mudanças no próximo governo, o que estaria sendo incorporado, neste momento da campanha, por Marina Silva.

 

 

Folha de S. Paulo