Desafeto de Renan, Dilma quer Mercadante nas discussões da Agenda Brasil

Desafeto de Renan, Dilma quer Mercadante nas discussões da Agenda Brasil

Temendo perder o controle dos projetos que serão votados pelo Congresso dentro da Agenda Brasil organizada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a presidente Dilma Rousseff quer que o ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) passe a fazer parte das discussões. A iniciativa, no entanto, desagrada a alguns senadores, que lembraram que Renan, que na semana passada se tornou o principal fiador de uma estabilidade política momentânea para Dilma, tem problemas pessoais com o ministro.

Até a semana passada, os ministros Joaquim Levy (Fazenda) e Nelson Barbosa (Planejamento) vinham negociando o pacote com os senadores. O Ministério da Fazenda chegou a apresentar uma pauta, absorvida pelo Senado, com sugestões. Uma delas, no entanto, a que defende a adoção de idade mínima para aposentadoria, deixou Dilma irritada. A medida não passou pelo Palácio do Planalto.

Um ministro relatou ao GLOBO que sua inclusão ocorreu à revelia e no pior momento possível. Em junho, o governo tentou emplacar a ideia da adoção da idade mínima, mas foi massacrado pelas dois maiores sindicatos do país, a CUT e a Força Sindical, que são brigados, mas se uniram contra a proposta. Agora, que Dilma busca a reaproximação com os movimentos sociais e tem recebido apoio da CUT, o governo teme que ressuscitar a ideia poderá despertar uma nova onda de conflitos com os aliados.

 
No Planalto, a aliança entre Levy e Renan é criticada porque levaria a um pacote de medidas “liberais”. A entrada de Mercadante nas discussões tem o objetivo de trazer a pauta mais para a esquerda, segundo as palavras de um auxiliar presidencial. Mas um senador governista resume o humor para a acolhida de Mercadante:

— Ele não é alguém que agregue.

Renan anuncia hoje (terça) o cronograma de votações da Agenda Brasil. O primeiro item da pauta será a repatriação de patrimônio no exterior não declarado, ocultado por meio de sonegação fiscal ou evasão de divisas. O texto irá à votação amanhã (quarta). Em seguida, será pautada a equalização das alíquotas do ICMS. A ideia é que isso ocorra ainda esta semana.

A agenda terá uma pausa na semana que vem, quando será apreciada a recondução do procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, ao cargo. O relatório será apresentado amanhã na Comissão de Constituição e Justiça, mas é preciso dar vista regimental. Com isso, Renan deverá marcar a sabatina e a votação no plenário do Senado para o dia 26. Depois, retomará o pacote anticrise.

 
 
 

O Globo