Deputado faz queixa contra Graça Foster por falso testemunho

Deputado faz queixa contra Graça Foster por falso testemunho

O deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS) anunciou nesta quarta-feira (26) que protocolou junto ao Ministério Público Federal uma queixa-crime contra a presidente da Petrobras, Graça Foster. O parlamentar acusa a dirigente de ter prestado falso testemunho durante depoimento à CPI mista da Petrobras, em junho deste ano.

 

Lorenzoni afirmou que, durante depoimento em 11 de junho, Graça Foster “mentiu” aos parlamentares da CPI mista ao dizer que não tinha conhecimento sobre suspeitas de pagamento de propina a funcionários da Petrobras. Na semana passada, a presidente admitiu que foi informada sobre os supostos pagamentos.

Como a CPI tem poderes de investigação correspondentes aos juízes de direito, o parlamentar entende que Graça Foster, durante o depoimento, cometeu crime de falso testemunho, cuja pena é de dois a quatro anos de prisão e multa. O G1 entrou em contato com a assessoria de imprensa da Petrobras, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.

“Ela veio aqui na CPI no dia 11 de junho e cometeu falso testemunho. Ela veio na condição de testemunha, tomou o compromisso de dizer a verdade e ocultou, conforme ela mesmo revelou depois, que desde o dia 23 de maio ela tinha a informação dada pelo Ministério Público Holandês e pela SBM de que 139 milhões de dólares foram transferidos para o Brasil e uma parte desse dinheiro foi gasto com corrupção no Brasil”, declarou Onyx Lorenzoni.

O Código Penal prevê como falso testemunho fazer “afirmação falsa ou negar ou calar a verdade” na condição de testemunha, perito, contador, tradutor ou intérprete em processos.

Durante sessão da CPI mista nesta quarta-feira, Onyx Lorenzoni disse que é uma “tragédia” a presidente da Petrobras ser uma “mentirosa”. “Se ela foi capaz de fazer isso com uma CPI, onde está a representação do povo brasileiro, o que mais é capaz de fazer essa presidente?”, provocou o deputado.

“Ela não tem autoridade moral para dar ordem aos seus subordinados nem dá credibilidade aos investidores. Os investidores não confiam mais nessa instituição que hoje nos envergonha, nos entristece”, reforçou o líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA).

Graça na CPI
Na sessão de junho, o relator da CPI mista, deputado Marco Maia (PT-RS) perguntou a Graça Foster se a Petrobras havia identificado indício de pagamento de US$ 139 milhões a funcionários ou intermediários por parte da SBM, conforme havia sido publicado pela imprensa.

A presidente respondeu que a comissão interna da Petrobras “não identificou, na sua esfera de atuação, dentro das atribuições que tinha e que tem, pagamento de qualquer vantagem a qualquer um dos nossos empregados”.

Depois, o relator perguntou se Foster confirmava a informação de que um representante da SBM Offshore havia declarado, em abril, que integrantes da Petrobras já sabiam das suspeitas de pagamento de suborno a funcionários da petroleira desde 2012. A presidente negou. “Não confirmo essa informação”, disse na época.

Em 17 de novembro, porém, Graça Foster admitiu que foi informada de que “havia, sim, pagamento de propina”. "Nós informamos aquilo que nós identificamos, nenhuma não conformidade nesse sentido. Passadas algumas semanas ou alguns meses, eu fui informada de que havia, sim, pagamento de propina para empregado ou ex-empregado de Petrobras”, afirmou Graça a ocasião

 

G1