Deputado chora ao negar envolvimento

Deputado chora ao negar envolvimento

Os seis políticos do Rio Grande do Sul que tiveram abertura de um inquérito autorizada pela Justiça por suspeita de envolvimento na corrupção na Petrobras investigada na Operação Lava Jato negaram ter participado no esquema. Um deles teve uma reação incomum. Em entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira (9), Jerônimo Goergen chorou.

“Eu, a vida inteira, lidei como presidente da juventude do meu partido dizendo que o jovem tinha que fazer política. E hoje estou aqui dentro de um quadro desses. Desculpa, mas é isso. Não tenho nada a ver com isso e vou mostrar”, disse, com voz embargada e lágrimas nos olhos.

Goergen afirmou que planeja entrar na Justiça contra o doleiro Alberto Youssef, que, por meio de delação premiada, apontou sua participação no esquema. “Farei uma interpelação judicial, afinal de contas ele terá de provar o meu envolvimento”, disse o deputado. “Recém contratei advogado, então terá uma demora da formalidade, mas a decisão está tomada”, afirmou.

A lista foi divulgada na sexta (6) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki, que atendeu à Procuradoria Geral da República (PGR) e mandou abrir inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). Além de Goergen, aparecem na relação outros cinco gaúchos: os deputados Afonso Hamm, José Otávio Germano, Jerônimo Goergen, Luís Carlos Heinze, Renato Molling e o ex-deputado Vilson Covatti, todos do PP do RS.

O fato levou Goergen a se licenciar do partido. “Se eu não me licencio, mantenho a instituição envolvida”, justifica.

O parlamentar gaúcho garante não ter tido envolvimento algum no esquema de corrupção. Ele acredita que o fato de ter uma postura de oposição ao governo federal, ao contrário da posição da direção nacional do PP, pode ter sido o motivo da delação de Youssef. “É estranho, pois o Palácio já tinha a informação. Como tenho total convicção na minha inocência, só posso imaginar que haja interesses por trás”, sentencia.

Goergen destaca que sequer era deputado federal na data em que foi citado por Youssef. “Liguei para o meu banco, e amanhã pego todos os meus extratos deste 12 de fevereiro, quando vim [para a Câmara dos Deputados], para provar que eu não era nem deputado”, afirmou.

 

 

G1