Depoimento de Nertor Cerveró à Polícia Federal é adiado

Depoimento de Nertor Cerveró à Polícia Federal é adiado

O segundo depoimento de Nestor Cerveró previsto para acontecer nesta segunda-feira na Polícia Federal em Curitiba foi adiado. De acordo com a advogada Alessi Brandão, o ex-diretor da área Internacional da Petrobras só prestará novos esclarecimentos após a defesa ter acesso a todas as cópias dos documentos apreendidos anteriormente na casa dele.

A documentação deve ser liberada pela Polícia Federal ainda nesta segunda-feira. Segundo Alessi, a defesa tem até três dias para analisar os papéis e instruir Cerveró a falar sobre o assunto. A coletiva poderá ser reagendada para quarta ou quinta-feira desta semana.

A advogada disse que falou com o ex-diretor nesta segunda-feira pela manhã, e que ele se encontra bem, na medida do possível, após passar dois sem banho de sol.

Os advogados de Nestor Cerveró afirmaram que ele estaria disposto a falar, além das relações sobre as quais é investigado, sobre a refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. A advogada Alessi Brandão declarou nesta segunda-feira que, por parte de seu cliente, não houve nenhuma irregularidade, mas adiantou que provavelmente ele prestará outros esclarecimentos sobre o assunto.

PEDIDO NEGADO

Na sexta-feira, a Justiça Federal negou o pedido de liberdade de Cerveró. A decisão foi dada liminarmente, após o desembargador João Pedro Gebran Neto entender que a prisão preventiva do executivo é fundamentada em “fatos concretos”, já que ele responde por processos originados na Operação Lavo Jato, por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. O ex-diretor também está sendo investigado pela PF em outros dois inquéritos.

Cerveró se tornou réu no processo da Operação Lava Jato em dezembro, quando foi denunciado pelo Ministério Público Federal do Paraná (MPF) por lavagem de dinheiro e corrupção ativa. Além dele, foram denunciados Fernando Antonio Falcão Soares, conhecido por Fernando Baiano, o doleiro Alberto Youssef e o empresário Julio Gerin de Almeida Carmargo, da Setal Engenharia.

Cerveró é suspeito de participar de um grande esquema de corrupção na Petrobras, desviando recursos de contratos da área Internacional para abastecer políticos do PMDB, que o indicaram para o cargo. O operador do esquema na área seria Fernando Baiano e o doleiro Youssef, que lavavam até 3% de todos os contratos do setor, repassando o dinheiro para campanhas políticas do PMDB. Segundo o Ministério Público Federal, Cerveró recebeu R$ 40 milhões de propina, em dois contratos para construção de navios sonda, usados em perfurações em águas profundas. O pagamento foi relatado pelo executivo Julio Camargo, da Toyo Setal, que fez acordo de colaboração com a Justiça.

O ex-diretor da abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, também citou Cerveró, no acordo de delação premiada. Em depoimento à Justiça Federal do Paraná, em outubro, Paulo Roberto disse que Cerveró recebeu propina na compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Segundo o Tribunal de Contas da União, o negócio gerou prejuízos de US$ 792 milhões. Durante uma acareação com o ex-diretor de abastecimento, na CPI mista, em dezembro, Cerveró negou as acusações.

 
 
 

O Globo