Delator diz que a Petrobras continua com falhas em contratos, durante CPI

Delator diz que a Petrobras continua com falhas em contratos, durante CPI

Um dos delatores da Operação Lava Jato, o ex-vice-presidente da construtora Camargo Corrêa Eduardo Hermelino Leite afirmou nesta terça-feira (26), em depoimento à CPI da Petrobras, que, na visão dele, mesmo com as denúncias de corrupção, continuam existindo os mesmos problemas em contratos da estatal do petróleo. Para o executivo afastado da Camargo Corrêa, uma das principais empreiteiras do país, falhas gerenciais como, por exemplo, elaboração de projetos de engenharia imprecisos facilitam a ação de cartéis como o que foi desarticulado pela Polícia Federal (PF) na Lava Jato.

Eduardo Leite é réu em uma ação penal acusado de corrupção ativa, organização criminosa, lavagem de dinheiro e uso de documentos falsos.

"Hoje, a visão que eu tenho, é que todos os problemas inerentes à Petrobras nas empresas e em contratos continuam existindo. Eles [Petrobras] têm como fundamento maus projetos de engenharia, más contratações, não adequadas, e procedimentos inadequados. O conjunto dessa obra continua existindo lá. O conjunto disso tudo é maléfico", disse Leite à comissão.

Aos integrantes da CPI, o delator comparou os procedimentos internos de controle da Vale, multinacional brasileira que é uma das maiores mineradoras do mundo, e os da Petrobras. Na opinião dele, os mecanismos adotados pela mineradora inibem a ação de cartéis de empreiteiras como o que atuava na Petrobras.

Preso em regime domiciliar por suspeita de envolvimento no esquema de corrupção da estatal do petróleo, Leite disse que iniciativas como a realização de projeto de engenharia detalhado, orçamento preciso e mecanismos de tomada de preço auxiliam as empresas a se protegerem de grupos que tentem impor sobrepreço na prestação de serviços.

"Quando eu participei de concorrência na Vale, ela tinha procedimento que evitava [acordos de fornecedores]. Existem obras que podem ser feitas evitando ilícito. [...] Quando não tem precisão, [as empresas ficam] refém de quem precifica. A precisão do orçamento impede qualquer ilícito. Esse é principal procedimento que enxergo dentro da Vale", destacou o ex-vice-presidente da Camargo Corrêa.

 

 

 

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