Delator diz à CPI que 'propina é um caminho sem volta'

Delator diz à CPI que 'propina é um caminho sem volta'

Em depoimento à CPI da Petrobras na Câmara, o ex-gerente de Serviços da estatal Pedro Barusco disse nesta terça-feira (10) que o recebimento de propina se tornou um “caminho sem volta” e que não vê problemas na governança da Petrobras, mas nas “pessoas”.

“É um caminho que não tem volta. Você começa a receber no exterior um recurso ilegal, é uma espada na sua cabeça, não tem saída, não tem saída”, afirmou aos deputados. “Se no começo eu tive a fraqueza de começar, teve uma fase que fiquei um pouco feliz, mas depois veio um temor e quase um apavoramento [de ter todo esse dinheiro]”.

Ele defendeu as práticas de governança da estatal e admitiu que a culpa foi dos funcionários.

“Apesar de ter acontecido o que aconteceu, acho a governança da Petrobras boa. O problema não está neste fato, está nas pessoas”.

Barusco confirmou o que já havia dito em seu depoimento de delação premiada ao Ministério Público Federal de que passou a receber propina a partir de 1997 e 1998, mas que o esquema ficou institucionalizado mesmo de 2003 em diante.

O relator Luiz Sérgio (PR-RJ) insistiu com várias perguntas em saber se havia um esquema maior de pagamento de propina nos anos 90, período do governo Fernando Henrique Cardoso. Barusco afirmou que não tinha conhecimento, mas acrescentou que não “acredita” que tenha sido o único.

O ex-gerente confirmou que o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, era um dos “protagonistas” no acerto das propinas. Barusco reiterou que estima que o partido tenha recebido de 150 a 200 milhões de dólares.

“Eu estimava que, por eu ter recebido a quantia divulgada, de 50 milhões de dólares, o PT deve ter recebido o dobro ou um pouco mais”, afirmou.

Barusco disse aos deputados que subiu dentro da hierarquia da empresa somente por indicações técnicas, sem a interferência de qualquer partido político.

 

 

Gloco.com