Delator detalha reuniões de Delcídio com ministro do STJ sobre Lava Jato

Delator detalha reuniões de Delcídio com ministro do STJ sobre Lava Jato

O ex-chefe de gabinete Diogo Ferreira, confirmou a investigadores um suposto plano do governo em libertar presos da Operação Lava Jato através da nomeação do ministro Marcelo Navarro para o Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Em sua delação premiada, Ferreira detalhou reuniões do senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS) com Navarro no ano passado, antes de sua escolha pela presidente Dilma Rousseff.

O ministro tomou posse em setembro e, no tribunal, virou relator de recursos de réus presos pelo juiz Sérgio Moro, da primeira instância. Delcídio, por sua vez, era líder do governo no Senado. Em depoimento, Ferreira disse que soube pelo próprio Delcídio que Navarro estava sendo indicado para o STJ “com a finalidade especifica de libertar réus da Operação Lava Jato que eram importantes para o governo federal”.

Procurado por meio de sua assessoria, Marcelo Navarro disse que não ia comentar a delação de Diogo Ferreira.

Ferreira também narrou encontro que teve com num fim de semana com Delcídio no hotel em que o senador residia. Segundo o chefe de gabinete, Delcídio teria lhe contado que havia se encontrado no mesmo fim de semana com Dilma e que ela teria lhe pedido “que obtivesse de Marcelo Navarro o compromisso de alinhamento com o governo para libertar determinados réus importantes da Operação Lava Jato”.

“Segundo o senador Delcídio do Amaral, a presidente Dilma Rousseff falou expressamente em Marcelo Odebrecht”, disse Ferreira, conforme o depoimento.

Ferreira disse que Delcídio teve ao menos cinco reuniões com Navarro, em seu gabinete, no café do Senado e em um “palácio presidencial”. Contou que, apesar de haver, na época, três nomes indicados para o STJ, “o grau de atenção, assistência e interlocução dispensado pela senador a Marcelo Navarro não teve paralelo”.

Ferreira também narrou que Delcídio lhe contou sobre uma reunião que teve, na época, com o então ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

“O senador contou ao depoente, depois dessa reunião, que ele e o então ministro da Justiça precisavam atentar para a importância dessa nomeação, porque ela envolvia a substituição do ministro convocado [Newton] Trisotto e a relatoria da Operação Lava Jato”, diz outro trecho do depoimento. “A partir daí o senador Delcidio do Amaral e o ministro José Eduardo Cardozo passaram a ter contato muito mais frequente”, continua o depoimento.

Diogo Ferreira prestou depoimento para a Procuradoria Geral da República (PGR) no último dia 30 de março. No dia 14 de abril, o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou a delação, o que permite à PGR iniciar as investigações a partir dos relatos.

 

 

 

 

G1