Delator da Lava Jato diz que Cerveró se negou a dar R$ 400 mil ao PMDB

Delator da Lava Jato diz que Cerveró se negou a dar R$ 400 mil ao PMDB

O ex-assessor da Diretoria Internacional a Petrobras Agosthilde Mônaco de Carvalho afirmou ao Ministério Público Federal (MPF) que o ex-diretor Nestor Cerveró disse que foi afastado do cargo ao se negar a pagar R$ 400 mil mensais para a bancada do PMDBde Minas Gerais.

 

Agosthilde Mônaco é mais um colaborador da Operação Lava Jato e um dos investigados desta 20ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta segunda-feira (16), com foco nas irregularidades na compra na Refinaria dePasadena, nos Estados Unidos, pela Petrobras.
 
Mônaco confirmou em delação premiada ter recebido US$ 1,8 milhão em propina em virtude da negociação. Ele ainda informou que, ao todo, a aquisição gerou US$ 15 milhões em propina para ex-funcionários. Entre os beneficiados, disse o ex-assesor, apenas ele recebeu o dinheiro em espécie. Os demais pagamentos ocorreram via pagamentos no exterior.
 
O engenheiro elétrico possuía um cargo de confiança da Área Internacional quando a diretoria era comandada por Cerveró. O ex-diretor já foi condenado pela Justiça Federal por ter se beneficiado do esquema de corrupção na Petrobras.
 
Em um dos termos da delação premiada, Mônaco afirmou que o afastamento de Cerveró ocorreu porque ele não assumiu o compromisso com os repasses. No lugar dele, assumiu Jorge Zelada, que igualmente responde processo no âmbito da Lava Jato por recebimento de propina.

 

Mônaco afirmou que Cerveró não mencionou quem teria lhe pressionado e quais políticos seriam beneficiados com os pagamentos mensais. O PMDB tem negado as denúncias de participação no esquema criminoso desvendado pela Lava Jato. Sobre esta nova colaboração, o G1 entrou em contato com PMDB e aguarda um retorno na legenda.

20 ª fase e o caso Pasadena

 

A 20ª fase da Operação Lava Jato cumpriu 18 mandados, sendo dois de prisão temporária e 11 de busca e apreensão.
 
A Justiça Federal ainda concedeu cinco mandados de condução coercitiva, quando a pessoa é obrigada a prestar depoimento - todos relacionados a ex-funcionários da Petrobras.

 

 

Foram presos Roberto Gonçalves, ex-gerente executivo da petrolífera, e Nelson Martins Ribeiro, apontado pela investigação como um operador financeiro. Eles também tiveram valores bloqueados pela Justiça: R$ 40 milhões de Roberto Gonçalves e R$ 20 milhões de Nelson Martins Ribeiro.
 
Esta nova fase da Lava Jato teve como objetivo, conforme dito pelo procurador do MPF Carlos Fernando Lima, buscar provas documentais em relação às irregularidades na aquisição de Pasadena e no pagamento de propina a ex-funcionários. A intenção é buscar o ressarcimento dos cofres públicos, enfatizou o procurador, é buscar o ressarcimento dos cofres públicos.
 
"Há notícias de pagamento de propina para elas. Assim como o Paulo Roberto Costa já tinha dito que recebeu propina no caso Pasadena, hoje nós temos o nome de inúmeros funcionários que receberam propina. A tramitação desse projeto é muito estranha e nós estamos aprofundando as investigações", afirmou o procurador do Ministério Público Federal (MPF) Carlos Fernando dos Santos Lima, referindo-se ao caso Pasadena, que gerou um prejuízo de US$ 792,3 milhões à Petrobras.

 

Paulo Roberto Costa é ex-diretor de Abastecimento da Petrobras e foi condenado pela Justiça por envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras e atualmente cumpre regime semiaberto diferenciado. Ele ainda é réu em outras ações penais no âmbito da Lava Jato.

Carlos Fernando ainda afimou que é sabido que diversos funcionários da estatal têm contas bancárias no exterior. "Nós sabemos que muitos funcionários na Petrobras têm contas no exterior e nós vamos buscá-las”.

 

 

G1