Del Nero descarta deixar a CBF e afirma nunca ter recebido propinas

Del Nero descarta deixar a CBF e afirma nunca ter recebido propinas

A prisão de José Maria Marin, a entrega de documentos ao Ministério Público e uma crise no futebol brasileiro e mundial. Presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Marco Polo del Nero deu explicações sobre a situação da entidade diante Anexardas acusações feitas na investigação realizada pelos Estados Unidos. Ao desistir de participar do congresso da Fifa em Zurique, na Suíça, desembarcou no Rio de Janeiro na madrugada desta sexta-feira, passou em sua casa na Barra da Tijuca e se dirigiu à sede, onde iniciou um planejamento para se posicionar.

Del Nero negou qualquer participação no esquema investigado pelos americanos e a possibilidade de ser o "co-conspirador 12", um dirigente que teria recebido propina da Copa do Brasil segundo a investigação. Ele garantiu que sua administração na CBF, iniciada há pouco mais de um mês não tem qualquer mácula.

- Não tenho nada a ver com isso. Eu não sou (o co-conspirador#12). Não recebi dinheiro, nem receberia - disse Del Nero.

A entrevista coletiva do presidente, marcada para as 11h30, teve um atraso de 30 minutos. Del Nero teve companhia em uma mesa recheada de personagens, mas foi o único a ser questionado. Ele sentou no centro de sete dirigentes da CBF: Reynaldo Buzzoni, diretor de registros, Carlos Eugênio Lopes, diretor jurídico, Rogério Caboclo, diretor financeiro e de planejamento estratégico, Walter Feldman, secretário geral, Gilberto Ratto, diretor de marketing, e Manoel Flores, diretor de competições.

Discurso inicial

"É um momento difícil para a CBF. Uma vez que nós tivemos envolvidos com um ex-presidente e atual vice-presidente. Face a esse momento difícil, resolvi partir da Suíça para o Rio de Janeiro para poder de forma positiva, de forma correta, cumprir e dar as explicações necessárias não só às autoridades, mas à imprensa do Brasil".

Romário e a CPI no Senado

"Com relação ao senador Romário, não é de hoje que me ataca. Toda vez vou ao Judiciário e tomo as providências. Pelo menos em uma delas já foi condenado. Vou continuar processando. Enquanto me ofender, processarei. Renúncia não existe comigo até porque não há razão alguma para eu renunciar".

 

Administração Marin

"Vice-presidente não manda. Procurava dentro da minha capacidade ser um bom diretor. Não assinei contrato algum na administração de Marin".

Prisão do ex-presidente da CBF

"Tive notícia por telefone. Informaram que havia sido levado. Imediatamente nos reunimos com o presidente da Conmebol. Ele entendeu que deveria constituir um advogado. Ficaram com os advogados o encaminhamento. Quando saí de lá (Suíça) não havia conseguido mais nenhuma notícia além do que havia sido publicado nos jornais".

Retirada do nome de Marin da sede

"Foi uma determinação da Fifa o banimento dele por 90 dias. A diretoria resolveu tirar o nome dele".

 



Volta ao Brasil durante o Congresso da Fifa

"Quando pensei em me ausentar por conta da situação grave que estava ocorrendo com a prisão do presidente Marin, conversei com o presidente da Conmebol e outros dirigentes sobre a necessidade de voltar ao país para comandar as explicações seja onde for. No Ministério da Justiça, na Polícia Federal, na procuradoria, enfim, em todos os setores que necessitarem de explicações vamos lá. Por isso, estamos presentes".

Eleição para presidência da Fifa

"Deixamos representantes para votar de acordo com a Conmebol. Há um acordo firmado e quando existe mais de seis votos, os outros acompanham. Disse para os nossos delegados acompanharem o voto da maioria".

 



Entrega de documentos da CBF ao Ministério Público

"Conversamos com Rogério (Caboclo) e (Walter) Feldman, outros membros, que deveríamos tomar providências imediatas, demonstrar aos órgãos investigativos a vontade da CBF de mostrar que não tem mácula, nada que nos ataque, tudo muito bem registrado, entregue ao procurador do Ministério Público do Rio de Janeiro, ministro da Justiça, todos os contratos pertinentes, praticar e responder tudo que for inquerido".

Situação de Marin

"É triste, a gente presta solidariedade ao ser humano, ao amigo, mas na função de presidente da CBF tenho que tomar as providências necessárias. Não tem como deixar de fazer algo por ser amigo. Fico chateado e perplexo com tudo, mas tenho que exercer a função da melhor forma possível".
Eu não sou. Não recebi nem receberia nada. Tem que perguntar para os investigadores".

 

 



Propina no futebol brasileiro

"Não acredito. Vivi 11 anos na Federação Paulista trabalhando sem qualquer mácula. Minha gestão na CBF começou no dia 16 de abril também sem qualquer mácula. Não sei o que passa em outras administrações no mundo afora".

Recuperação da imagem

"Provando a inocência".

Esclarecimento na CPI do Futebol

"Onde tiver manifestação legal e que tenha necessidade de comparecer, ser chamado, estarei presente dando todas as explicações".

Marin culpado?

"Como advogado, entendo que só pode ser considerado culpado depois de tramitado e julgado. Recebemos por parte da Fifa, entidade maior e soberana, uma ordem no sentido de banir o presidente e estamos cumprindo".

Transparência

"Toda empresa privada quando faz uma negociação é bilateral. São duas partes. Normalmente, as partes entendem que não querem noticiar os valores, é o que acontece com a CBF. Ela presta contas à Assembleia Geral, ao Conselho Fiscal, para a fiscalização, Receita Federal se houver dúvida. O contrato pode ser sigiloso, está na lei".

Contratos

"A diretoria concluiu que todos os contratos devem ser analisados. Não posso dizer que todos são péssimos para a CBF, pois até agora as coisas andaram bem. Temos que analisar se há uma suspeita e isso está sendo feito".

Rumo do futebol

"Caminham normalmente a seleção brasileira, o futebol. A crise envolve a administração, um vice. Vamos tomar as providências e prestar os esclarecimentos".

Defesa de Marin

"Vai ser discutido. A Conmebol já presta assistência jurídica. Então, temos que aguardar os acontecimentos".

 


 

 

 

G1