“De mendigo a astro do UFC”, Alan Nuguette volta e quer chave de Brasília

“De mendigo a astro do UFC”, Alan Nuguette volta e quer chave de Brasília

A história de Alan Nuguette já está bem documentada em diversas matérias pela internet e TV brasileiras: por causa de problemas em casa e de uma família desestruturada, o menino Alan Patrick foi para as ruas de Brasília trabalhar como engraxate. Perambulando pela Quadra 116 Sul, descobriu a capoeira e deu o primeiro passo para o que eventualmente seria uma carreira bem sucedida no MMA. Naquelas andanças, passou inúmeras vezes pelo Ginásio Nilson Nelson, arena que recebe os grandes eventos esportivos e musicais que visitam a capital do país, sem jamais pisar na porta. No próximo dia 24, Nuguette enfim adentrará o local, como parte do card preliminar do UFC Brasília, contra o escocês Stevie Ray.

– Nunca nem imaginava (que isso aconteceria). Via aquela p*** redonda lá, pensava, “Que m*** é essa?” (Risos) Nem sabia o que era! Perguntava aos meus amigos o que era, eles diziam, “Esse é o Nilson Nelson, ginásio grande, tem show, tem luta, jogos importantes, as melhores e maiores coisas do esporte são realizadas aí”. (Eu dizia), “Então o negócio é importante, né?” Mas só isso, nunca tive a curiosidade de ir lá, entrar no Nilson Nelson… Vai ser a primeira vez que vou entrar no Nilson Nelson e fazer parte de um grande show! Sinistro isso – diz o lutador ao Combate.com.
Bota sinistro nisso. Alan Patrick dormiu na rua – em reportagem do Esporte Espetacular em 2014, contou que às vezes pulava grades de parques de diversão para dormir na piscina de bolinhas – gastou a sola do pé andando por todo o Distrito Federal, e teve de sair da cidade para perseguir uma carreira no MMA. Hoje, aos 33, retorna estabelecido no maior evento de lutas do mundo.

– De mendigo de rua, você volta (como) o astro da cidade. Que loucura, né? Isso que está me motivando a trabalhar mais, fazer uma boa apresentação e mostrar para todo mundo que tudo é possível. Olha eu aqui, dormi nessas ruas, e hoje estou no maior palco do mundo, na maior organização, fazendo o que eu amo. Então, acredite nos seus sonhos e trabalhe, porque vai dar certo – declara.

A vontade de fazer bonito em casa é grande, e, por isso, Nuguette quer permanecer concentrado no hotel que vai receber a organização. Nada de ir a Recanto das Emas, cidade satélite onde moram centenas de seus parentes, antes da luta. A única exceção que o lutador pretende fazer é para encontrar o governador do Distrito Federal, logo em sua chegada, para pedir apoio aos lutadores locais e, quem sabe, para levar os familiares ao ginásio para assistir à sua luta.

– Vamos ver lá como minha cidade me espera. Tomara que o governador me abrace e me dê a chave da cidade, porque eu mereço! (Risos) Eu saí de Brasília, não tive muita oportunidade lá, consegui em outros estados. Estou voltando, marquei essa reunião com o governador, vamos ver se minha cidade mesmo de raiz me abraça. Já volto em outro momento, em outro patamar, numa esfera internacional, em algo que é transmitido em 202 países. Botei Brasília no mapa, não só eu como outros atletas de lá que são do UFC. As autoridades têm que olhar mais para isso. Vamos dizer que nós já chegamos na Olimpíada, mas, para levar uma medalha de ouro, precisamos de investimento, e não é barato uma medalha de ouro, todo mundo sabe disso. É um investimento de anos. O governo tem só que acreditar e investir nessa reta final, que vai sair bem mais barato para eles – argumenta.

Andar pelo Palácio do Buriti, sede do governo do Distrito Federal, não é novidade para Nuguette. O lutador fez roda de capoeira por toda a capital do país, “não podia ver um gramado que estava saltando”. Naquela época, só sonhava em jogar capoeira, tocar berimbau, “dar umas pernadas” e viajar o mundo. Acabou realizando o sonho através do MMA, mas não renega as origens: quer fazer uma roda na porta do hotel que recebe a organização para quebrar recordes.

– Eu já estou com um plano de chamar todos os capoeiristas de Brasília. Capoeira dominou aquela cidade, e quero chamar a todos os capoeiristas, sem bandeira, todos que já treinaram capoeira, de diferentes grupos – lá em Brasília tem muitas equipes – chamar para participar desse evento. Lá na frente do hotel mesmo, a gente formar uma grande roda histórica, pra entrar até para o Guinness (O Livro dos Recordes), e mostrar que o Brasil é grande. Todos os capoeiristas, compareçam no hotel no dia 20, vamos fazer a maior roda de capoeira que o UFC já viu no mundo – convoca.

O UFC Brasília tem transmissão ao vivo do Combate no próximo dia 24. Confira o card completo:

UFC Brasília
24 de setembro, em Brasília (DF)
CARD PRINCIPAL:
Peso-casado (até 63,5kg): Cris Cyborg x Lina Lansberg
Peso-pena: Renan Barão x Phillipe Nover
Peso-pesado: Antônio Pezão x Roy Nelson
Peso-leve: Francisco Massaranduba x Paul Felder
Peso-médio: Thiago Marreta x Eric Spicely
Peso-pena: Godofredo Pepey x Mike de La Torre
CARD PRELIMINAR:
Peso-leve: Michel Trator x Gilbert Durinho
Peso-galo: Rani Yahya x Michinori Tanaka
Peso-galo: Jussier Formiga x Dustin Ortiz
Peso-meio-médio: Erick Silva x Luan Chagas
Peso-leve: Alan Nuguette x Steven Ray
Peso-meio-médio: Vicente Luque x Hector Urbina
Peso-leve: Glaico França x Gregor Gillespie

 

 

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