Cunha usa emendas para conquistar influência e gratidão

Cunha usa emendas para conquistar influência e gratidão

Com um estilo antigo de fazer política, como definem os aliados, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), abre as portas de seu gabinete para audiências com prefeitos, vereadores e deputados. Durante as campanhas, produz material de propaganda e fecha dobradinhas exclusivas com candidatos a deputado estadual. Em troca das parcerias, influência política e bom tratamento, o peemedebista cobra, de quem aceita a ajuda, fidelidade e apoio às suas decisões.

Uma das estratégias de Cunha, segundo adversários, é oferecer aos aliados o comando de relatorias como forma de aumentar a participação e a influência no Congresso.

- Predomina, em troca de apoio, a distribuição de relatorias e cargos. Só um suplente, por exemplo, tem 12 cargos. Vagas que tornam-se moeda de troca. É dessa maneira que Cunha conduz a Casa - afirmou Chico Alencar (RJ), líder do PSOL na Câmara.

Entre os 46 parlamentares da bancada fluminense na Câmara, pelo menos 20 estão na linha de frente do peemedebista. Prefeito de Itaboraí, Helil Cardozo afirma que Cunha estreitou a relação da Câmara com os municípios. Leal a Cunha, Helil diz que conseguiu em seu reduto eleitoral - a cidade tem cerca de 110 mil habitantes - 20 mil votos. Fez campanha, pediu votos na rua e teve como recompensa a indicação de ajuda financeira do governo para programas da prefeitura.

- Ele garante emendas parlamentares para as cidades do Rio. Em Itaboraí, R$ 6 milhões foram liberados para obras de pavimentação, e R$ 15 milhões, para recuperar o hospital municipal. Não tem como deixar o grupo de Eduardo Cunha. Nenhum outro deputado da bancada do Rio tem essa rede de apoio aos prefeitos - disse Helil.

Apesar da estrutura de apoio no Congresso e no Estado do Rio, há quem diga que o poder de Cunha pode se transformar em castelo de areia com as investigações da Lava-Jato.

- Assim como ele ajuda e mantém sob seu comando deputados aliados, Cunha conquistou uma longa lista de inimigos - afirmou um deputado federal do PMDB, dizendo que alguns descontentes podem abandonar Cunha se a situação piorar.

Embora Cunha tente demonstrar estar impávido diante das denúncias, aliados temem que o cenário piore.

- Aguardo com apreensão (os resultados da Lava-Jato), porque ele está sendo desgastado - disse o secretário estadual de Trabalho, Arolde de Oliveira (PSD).

 

 

 

O Globo