Cunha reforça críticas ao PT e bancada ameaça votação de desonerações

Cunha reforça críticas ao PT e bancada ameaça votação de desonerações

Ladeira abaixo Eduardo Cunha (PMDB-RJ) avisou a aliados que vai reforçar “cada vez mais” suas críticas ao PT, rumo a um rompimento entre as siglas, considerado “quase inevitável”. Irritada com ataques de petistas a Cunha e com articulações para minar Michel Temer, a bancada do PMDB prepara uma contraofensiva na Câmara e ameaça dificultar a aprovação do projeto que revê as desonerações. Caciques da sigla cobrarão que Dilma Rousseff condene as investidas dos petistas contra o PMDB.

Saúde… Temer já havia procurado Dilma na manhã de sexta-feira para dizer que a proposta do PT de recriar a CPMF havia contrariado a base aliada e criaria problemas na votação das desonerações.

… e paz O vice sugeriu que o governo desautorizasse o partido. Mais tarde, o Ministério da Saúde divulgou nota negando a movimentação.

Estatuto da família “Estamos como um casal que mora na mesma casa, mas não se fala. Cada um cuida da sua própria vida”, compara um deputado do PMDB.

Pólvora Caciques do PT acusam Moreira Franco (PMDB) de alimentar o mal-estar entre Temer e Aloizio Mercadante (Casa Civil) para voltar ao governo. Afirmam que o ex-ministro faz uma “pressão enorme” para forçar um acordo que o beneficie.

Cortesia Após condecorar Cunha na quinta-feira com a medalha da batalha do Riachuelo, Jaques Wagner (Defesa) pediu apoio para aprovar um acordo de troca de informações com os EUA.

Precedente Cunha prometeu ajudar. O governo considerava que a condecoração que Cunha havia recebido de Dilma em abril aproximou a dupla e abriu caminho para a aprovação do ajuste fiscal.

Em bloco Do presidente da CPI da Petrobras, Hugo Motta (PMDB-PB), sobre acusações de que pressiona o governo por cargos e emendas: “Eu jamais usaria a CPI para retaliar o governo. Sempre fui isento e imparcial. Não é a primeira vez que tomo decisões de que eles não gostam”.

O inverno… Rodrigo Janot e seus aliados próximos preveem uma “carnificina” na eleição interna que produzirá a lista tríplice para a escolha do próximo procurador-geral da República.

… está chegando Procuradores avisaram a Janot que há uma “central de dossiês” contra ele funcionando no Senado, onde estão alguns dos parlamentares investigados, a seu pedido, pelo esquema de corrupção na Petrobras.

No pódio Há duas preocupações no time de Janot. A primeira é que a disputa pesada tire dele o primeiro lugar na lista tríplice, o que forçaria Dilma a quebrar uma tradição e indicar o segundo ou terceiro colocado caso queira reconduzi-lo.

Sem escudo A segunda é que os ataques sofridos durante a campanha interna acirrem os ânimos no Senado e transformem sua sabatina em um “apedrejamento”.

Ironia… Em 2013, o ministro que tentou blindar Lula no Itamaraty participou de um seminário em que criticou jornais que atacaram a falta de transparência da pasta.

… do destino No evento, disse que “ao contrário de informações veiculadas na imprensa”, a implementação da Lei de Acesso à Informação não encontrava qualquer resistência no Itamaraty.

Contratempo Marta Suplicy tem se queixado a aliados sobre a ameaça de deserção de partidos que deveriam apoiar sua candidatura à Prefeitura de São Paulo no ano que vem. Ela reclama especialmente do PDT, que assumiu uma secretaria de Fernando Haddad (PT).

Ciranda O PV, que também poderia apoiar Marta ou Haddad, tem flertado com Celso Russomanno. O deputado estadual Roberto Tripoli quer a vaga de vice na chapa do candidato do PRB.


TIROTEIO

Palestras pagas são próprias de democracias modernas. FHC já praticava isso. Questionar esse método é um traço de mera luta política.

DO DEPUTADO PAULO TEIXEIRA (PT-SP), sobre as críticas e a investigação que a PF pretende fazer sobre o pagamento de empresas ao ex-presidente Lula.


CONTRAPONTO

Sem despertador

Na quinta-feira, José Serra (PSDB-SP) esbarrou no Senado com o colega Delcídio Amaral (PT-MS), líder do governo e presidente da Comissão de Assuntos Econômicos. O tucano disse ao petista que a comissão precisava se reunir para definir sua pauta de votações e acelerar a tramitação de projetos. Delcídio brincou com os hábitos de Serra, conhecido por acordar tarde:
–Eu tenho ficado muito ocupado com as atividades da liderança do governo, então não tenho muito tempo. Mas podemos marcar uma reunião para as 7h30 da manhã.
Serra riu e arrematou:
–Pode ser! Assim eu nem preciso dormir.

 

 

 

 

Folha de São Paulo