Cunha diz que não indicou nem um 'alfinete' para o governo Temer

Cunha diz que não indicou nem um 'alfinete' para o governo Temer

O presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou nesta quinta-feira (19), durante depoimento no Conselho de Ética da Casa, que não há “um alfinete” sequer indicado por ele para postos no governo do presidente em exercício, Michel Temer.

A declaração foi dada em resposta ao deputado Alessandro Molon (Rede-RJ), que mencionou a influência de Cunha em recentes nomeações, como a do deputado André Moura (PSC-SE) para a liderança do governo na Câmara. Cunha compareceu ao conselho para se defender no processo ao qual responde por suposta quebra de decoro parlamentar e que pode resultar até na cassação do mandato.

Integrante da chamada “tropa de choque” do peemedebista, Moura foi escolhido com o apoio de parlamentares de partidos como PP, PR, PSD e PSC. A indicação é vista como uma demonstração de força de Cunha, que é muito próximo do deputado do PSC.

Ao Conselho de Ética, o presidente afastado negou que tenha participado das articulações para postos chave do governo Temer, mas destacou que teria “legitimidade” para isso, já que é integrante do PMDB.

“Não tem um alfinete indicado neste governo por Eduardo Cunha. Agora, se pessoas com as quais tenho convivência ocupam postos, não quer dizer que foi Eduardo Cunha que indicou. E se indicasse não teria ilícito”, disse.

Cunha afirmou ainda que não se sentirá “constrangido” por manter relacionamento com os deputados, mesmo suspenso do mandato e afastado da presidência da Câmara por decisão do Supremo Tribunal Federal.  O peemedebista argumentou que é “amigo” da grande maioria dos deputados.

“Eu tenho o direito. Ninguém vai tolher a minha relação com quem quer que seja. Eu não indiquei nem indico ninguém, mas, se eu o tivesse feito, eu teria legitimidade porque é o meu partido que está no poder e é um direito meu", disse. Ele afirmou ainda que não foi “cassado dos direitos políticos”.

“Eu fui suspenso do exercício do mandato e, por consequência, das funções de presidente. Eu não fui cassado do meu direito de ir e vir, do meu direito de fazer política, do meu direito de debater política, de ter atividade partidária”, afirmou.

Cunha foi suspenso do mandato em 5 de maio por decisão unânime (11 votos a 0) do Supremo.

Os ministros entenderam que ele usava o mandato de deputado e o cargo de presidente da Câmara para prejudicar as investigações da Operação Lava Jato e postergar o andamento do processo por quebra de decoro a que responde no Conselho de Ética.

No conselho, Cunha é acusado de mentir – e portanto quebrar o decoro parlamentar – por ter afirmado no ano passado à CPI da Petrobras que não tem contas no exterior.

Nesta quinta, ele compareceu ao colegiado para apresentar sua defesa e voltou a dizer que não é o titular das contas, mas sim "beneficiário" dos recursos administrados na Suíça por trustes – entidades legais existentes em alguns países que administram bens em nome de uma ou mais pessoas.

 

 

 

 

 

G1