CPI mista ouvirá contadora do doleiro Alberto Youssef em 8 de outubro

CPI mista ouvirá contadora do doleiro Alberto Youssef em 8 de outubro

A CPI mista que investiga denúncias contra a Petrobras marcou para o dia 8 de outubro o depoimento de Meire Bonfim da Silva Poza, contadora que trabalhou para o doleiro Alberto Youssef, suspeito de ser um dos líderes de um esquema de lavagem de dinheiro e pagamento de propina. Será a primeira reunião do colegiado após o doleiro, preso pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF), ter assinado um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal em troca de redução da pena de prisão.

A data do depoimento foi marcada nesta quinta-feira (25) pelo presidente da CPI mista, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB). A secretaria da comissão entrou em contato com a contadora, que confirmou sua presença na oitiva. Por se tratar de convocação, Meire é obrigada a comparecer ao colegiado.

 
Deputados e senadores que integram a CPI mista vão indagar a ex-contadora se o suposto esquema que teria lavado R$ 10 bilhões seria comandado por Yousseff e por Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras. Ambos foram presos pela Operação Lava Jato.

O requerimento que pede a convocação de Meire Poza foi aprovado no último dia 17, após depoimento de Paulo Roberto Costa à CPI. Na ocasião, o ex-diretor – que também negocia um acordo de delação premiada com a Justiça – permaneceu calado durante a sessão e não respondeu a nenhuma pergunta dos parlamentares.

Meire já depôs ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados como testemunha de um processo de cassação que apura suspeitas de envolvimento do deputado Federal Luiz Argôlo (SD-BA) com Alberto Youssef. Segundo a PF, há indícios de que o deputado do Solidariedade era um dos cliente dos serviços prestados pelo doleiro.

Na ocasião em que prestou depoimento ao Conselho de Ética, afirmou que o doleiro atuava como um "banco" e repassava dinheiro para diversos políticos, entre eles Argôlo. O deputado, por sua vez, disse ao Conselho de Ética que a contadora tentou extorqui-lo em R$ 250 mil depois de a Polícia Federal recolher documentos em seu escritório.

Nesta quarta-feira (24), a Justiça Federal do Paraná atendeu solicitação da CPI mista e encaminhou ao colegiado cópia dos depoimentos prestados por Meire durante as investigações da Lava Jato. O tribunal também já havia compartilhado as planilhas e demais documentos entregues pela contadora à polícia.

Além de Meire, a CPI mista já aprovou a convocação de outras pessoas envolvidas na investigação, mas ainda não marcou a data dos depoimentos. É o caso do próprio Yousseff e também de suas filhas e dois genros de Paulo Roberto Costa. Os quatro são acusados de destruir provas a fim de dificultar o trabalho de investigação contra o ex-diretor da petroleira.

 

G1