Conselho de Ética encerra sessão sem votar relatório sobre Cunha

Conselho de Ética encerra sessão sem votar relatório sobre Cunha

Após seis horas de sessão, o Conselho de Ética da Câmara encerrou a reunião desta terça-feira (1º) sem votar o parecer do deputado Fausto Pinato (PRB-SP) pela continuidade do processo que investiga o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por suposta quebra de decoro parlamentar.

O presidente do colegiado, deputado José Carlos Araújo (PSD-BA), disse que retomará a análise do parecer nesta quarta-feira (2), às 14h30.

Por volta das 20h30, com o início da sessão de votação do Congresso Nacional, o presidente do Conselho de Ética encerrou a sessão que havia começado às 14h40. O regimento interno do Congresso impede a deliberação em qualquer comissão da Câmara e do Senado durante as votações no plenário principal.

"Vencemos uma etapa e conseguimos avançar. Não conseguimos chegar ao final, mas tentamos, pelo menos, chegar bem à frente", avaliou o presidente do Conselho de Ética ao final da sessão.

A sessão do colegiado teve início às 14h40. Na tentativa de atrasar o início da votação do relatório preliminar, aliados de Eduardo Cunhafizeram várias manobras no plenário do Conselho de Ética.

Entre outras coisas, os parlamentares que defendem o mandato do presidência da Câmara apresentaram diversos questionamentos a José Carlos Araújo, que comandava a reunião. Além disso, mais de 20 deputados se inscreveram para discursar, cada um com direito a falar por 15 minutos.

Uma das estratégias de Cunha para preservar seu mandato parlamentar é tentar postergar ao máximo o andamento do processo por quebra de decoro proposto pela Rede e pelo PSOL.

O peemedebista também estaria pressionando o PT para firmar um acordo pelo qual os integrantes do partido no Conselho de Ética votariam pelo arquivamento das investigações e, em troca, Cunha não abriria nenhum processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Embora na semana passada tenham sinalizado que votariam pela continuidade do processo, os três deputados do PT que integram o Conselho de Ética – Valmir Prascidelli (PT-SP), Zé Geraldo (PT-PA) e Leo de Brito (PT-AC) – se reuniram na manhã desta terça para debater umaeventual mudança de posição diante do “cenário político” atual.

Durante a tarde desta terça, entretanto, o presidente do PT, Rui Falcão, orientou, por meio de sua conta pessoal no microblog Twitter, os três parlamentares petistas a votar a favor da continuidade do processo de cassação de Cunha.

Ao deixar a reunião do Conselho de Ética, Prascidelli, Zé Geraldo e Brito disseram que ainda não decidiram como irão votar em relação à recomendação do relator para que o processo de quebra de decoro tenha andamento na Câmara. Segundo eles, não houve uma “ordem” do partido para que os deputados do PT acompanhassem o voto de Fausto Pinato.

“Rui [Falcão] expressou uma opinião. Não houve uma determinação. Ainda estamos avaliando. Queremos ouvir todas as argumentações. Cada deputado está formando o convencimento. Claro que vamos ouvir o Rui Falcão, mas não houve uma ordem partidária”, afirmou ao G1 o deputado Valmir Prascidelli.

Pareceres
O parecer do relator do processo é favorável à continuidade das investigações de Cunha. Mas deputados próximos do presidente da Câmara compareceram em peso à comissão e fizeram o possível para inviabilizar a votação apresentando reiterados questionamentos ao presidente do Conselho de Ética.

O deputado Wellington Roberto (PR-PB) chegou a protocolar um voto alternativo ao parecer de Pinato, no qual defende que o processo se encerre e seja aplicada de imediato uma punição mais branda a Cunha- uma censura pública escrita.

A proposta foi criticada pelo relator e deputados defensores da continuidade do processo de Cunha. Para eles, não pode haver um voto em separado que defenda o arquivamento do processo, ou seja, a inadmissibilidade, e ao mesmo tempo uma punição.

“Ou a representação é admissível ou não é admissível. Não há outra opção. A decisão é simples. Há indícios para a abertura do processo ou não há? Há justa causa? Seria gravíssimo para esta Casa que o processo não fosse aberto”, afirmou o deputado Alessandro Molon (Rede-RJ).

O presidente do Conselho de Ética anunciou que o colegiado só analisará voto alternativo se for derrubado o parecer de Pinato pela admissibilidade do processo de Cunha.

'Fura fila'
Por pelo menos uma hora e meia, os deputados aliados do presidente da Câmara conseguiram paralisar o andamento da reunião com uma discussão sobre o fato de o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) ter supostamente “furado a fila” na entrada do plenário para registrar presença.

No caso de ausência de um titular, pode votar um dos suplentes da comissão, pela ordem de chegada à reunião. Como Onyx é favorável à continuidade do processo de Cunha, aliados do peemedebistas protestaram dizendo que ele teria burlado uma “fila” informal de deputados na entrada do plenário, para poder registrar presença antes e votar no caso de ausência do titular.

“O plenário estava fechado e estávamos na fila. Estávamos ali conversando. Avisei o Onyx, porém ele deu uma de malandro e veio para cá”, disse Sérgio Moraes (PTB-RS). Onyx respondeu dizendo que os computadores estavam liberados e que os demais parlamentares não registraram presença logo que entraram porque não quiseram.

“Vou exercer o meu direito de votar na ausência de algum titular. E já adianto que defenderei a continuidade do processo”, disse. Por sua vez, o presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PSD-BA), disse que nada poderia fazer a esse respeito.

“O Conselho de Ética não pode agir de ofício. Se quiser, pode representar contra o deputado. Eu não tenho capacidade para intervir no sistema da Casa, então vai valer o que está ali [o registro do suplente que primeiro firmou presença]”, disse.

A discussão se arrastou e só acabou por às 16h, quando foi dada palavra ao advogado de Cunha, Marcelo Nobre, para que fizesse uma “defesa prévia” do peemedebista. Após a apresentação da defesa, aliados de Cunha voltaram a tentar impedir a votação do relatório de Fausto Pinato. O deputado Hugo Motta (PMDB-PE), próximo do presidente da Câmara, sustentou que a deputada Eliziane Gama (REDE-MA) não poderia votar porque foi eleita para o colegiado por indicação do bloco do PSDB-PPS-PSB, quando estava filiada ao PPS.

Eliziane já declarou abertamente que votaria pela continuidade do processo de Cunha, por isso a intenção de Hugo Motta de impedir que ela votasse. O presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PSD-BA), rejeitou a questão de ordem do peemedebista, dizendo que os integrantes do colegiado são eleitos e não podem ser substituídos.

Os deputados aliados do presidente da Câmara também pediram a substituição do relator do processo, deputado Fausto Pinato (PRB-SP), com o argumento de que o PRB era do bloco que compôs a chapa que elegeu o Eduardo Cunha para a presidência da Casa. Novamente, José Carlos Araújo rejeitou a questão de ordem.

 

 


G1