Congresso espera com apreensão lista de autoridades sob suspeita

Congresso espera com apreensão lista de autoridades sob suspeita

Na contagem regressiva para que finalmente sejam conhecidos os nomes de políticos envolvidos no esquema de corrupção da Petrobras investigado na Operação Lava-Jato, o clima no Congresso é de apreensão e cautela. A avaliação entre líderes partidários é de que nenhuma atitude deverá ser tomada de imediato pelo Congresso quando a lista for apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Um deputado que teve seu nome citado nos depoimentos como um dos beneficiários da corrupção circulou na última semana pelo Congresso e disse que, entre os que podem aparecer na lista de Janot, não há quem esteja “dormindo direito".

— Quem disser o contrário estará mentindo. Falo com alguns deles, por mais que um ou outro tente evitar o assunto. É uma apreensão só — disse o parlamentar, que pediu para não ser identificado.

A expectativa de que apenas pedidos de inquérito contra deputados e senadores sejam apresentados pelo MPF, ainda sem denúncias formais à Justiça, reforçou um discurso mais cauteloso, tanto entre parlamentares da base do governo como nos da oposição. A ideia é que eventuais processos de cassação no Conselho de Ética não devem ser provocados antes do indiciamento dos parlamentares.

Na opinião da maioria dos líderes partidários, se Janot solicitar abertura de inquérito contra deputados e senadores, será preciso esperar para ver se o Supremo irá acolher o pedido. Os líderes alegam que inquérito não é sinônimo de culpa.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse que considera “prematura” qualquer iniciativa na Câmara a respeito dos citados na Lava-Jato. Para Cunha, é preciso aguardar até a conclusão dos inquéritos. Ele é um dos que apostam que esta semana só haverá pedidos de abertura de inquérito.

— Se vier denúncia é uma coisa; inquérito é outra. Se for realmente só inquérito, não vai acontecer nada, hoje tem uns 200 rodando no STF. Seria prematuro, em cima de um pedido de instauração de inquérito, ter atuação da Câmara. Se for inquérito só, tem que esperar ser concluído; não se sabe nem se vai ser instaurado — disse Cunha.

Ele diz que, mesmo na hipótese — que considera pouco provável — de haver denúncias por parte do MP, não cabe ao presidente da Câmara tomar qualquer atitude. A iniciativa de entrar com representação contra deputados para que sejam instaurados processos no Conselho de Ética caberá aos partidos.

— É pouco provável que tenha representação dos partidos só com pedido de inquérito. Não posso fazer nada, a Câmara precisa ter representação dos partidos para isso. E, se for inquérito, não há o que fazer — disse Cunha, ele próprio um dos que podem estar na lista.

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), disse acreditar que, diferentemente do que vem sendo divulgado, o PT não será o foco da ação:

— Nossa expectativa é que essa lista contenha poucos nomes do PT. Acho que houve um vazamento seletivo tentando pegar pessoas do PT e, na verdade, a quantidade de gente de outros partidos é muito grande. É processo de abertura de investigação, não é ainda julgamento, nem sequer indiciamento.

O líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), disse achar que os processos no Conselho de Ética podem ser abertos mesmo que só haja pedidos de inquérito, mas avisou que irá primeiro consultar a bancada do partido para decidir como o PSDB irá se comportar. Tucanos têm defendido que o partido não acione o conselho caso não haja denúncias por parte do MPF.

— Quanto a nomes do partido, tenho zero de preocupação. Corrupção não tem coloração partidária. Quem estiver envolvido deverá responder por seus atos e ser punido exemplarmente — disse Sampaio.


 

O Globo