Com música e tiros de canhão, papa é recebido com pompa ao chegar a Cuba

Com música e tiros de canhão, papa é recebido com pompa ao chegar a Cuba

A chegada do papa Francisco a Cuba, no final da tarde desse sábado (19), foi marcada por uma cerimônia oficial repleta de pompa, com música, tiros de canhão ao ar, apresentação de militares e presença do chefe de Estado do país, Raúl Castro.

A viagem do pontífice, o terceiro a visitar o país caribenho, é considerada histórica, já que inclui também uma visita posterior aos EUA, nação que aos poucos retoma sua relação com o regime cubano. O papa teve grande responsabilidade na retomada de diálogo entre os países.

"Sentimo-nos honrados com a sua visita", afirmou Raúl em discurso minutos depois do desembarque do papa, pouco antes das 17h, no qual abordou o aquecimento global e a pobreza mundial. "A humanidade tem de tomar consciência na necessidade de mudar. O líder da Revolução Russa, Fidel Castro, falou da necessidade de distribuir melhor a riqueza e a tecnologia para o desenvolvimento sustentável."

Raúl também chamou de criminoso o embargo norte-americano contra Cuba e reclamou que a Base de Guantánamo, onde os EUA mantêm acusados de terrorismo presos, volte a ser pertencente a seu país - já que ela fica dentro do território do país.

"É um exemplo de reconciliação para o mundo e o mundo precisa desse exemplo porque vivemos um momento de uma terceira guerra mundial em partes", exaltou o líder dos católicos em seu discurso, ainda no aeroporto. "Há vários meses, vemos um processo que nos enche de esperança: após anos de distância, dois povos se reúnem. Uma vitória do diálogo."

Dez dias nas Américas
Antes do embarque do papa em direção a Cuba, onde permanecerá por três dias - depois disso serão mais sete nos EUA -, medidas de segurança discretas foram tomadas aeroporto de Fiumicino, em Roma.  

Antes de subir ao avião, Francisco cumprimentou - sempre sorrindo - um a um os tripulantes da aeronave e, por último, saudou todos os que estavam aguardando o embarque do líder da Igreja Católica.

Ainda antes de chegar ao aeroporto, a família síria que está hospedada na paróquia de Sant'Ana, no Vaticano, quis agradecer pessoalmente ao sucessor de Bento XVI por sua hospitalidade. Bergoglio também enviou um telegrama com saudações de "paz e prosperidade" para a Itália e ao presidente do país, Sergio Mattarella, uma formalidade sempre respeitada pelo Papa argentino.

"Movido pelo desejo de encontrar meus irmãos na fé e os habitantes destas nações, me sinto grato por dirigir-me ao senhor presidente e a todo o povo italiano. A expressão dos meus melhores sentimentos que acompanho com cordiais desejos de paz e prosperidade", escreveu o Pontífice. 

A missão misericordiosa do pontífice no país centro-americano contará com três missas: uma em Havana, outra em Holguín e a última em Santiago de Cuba, a mais de 800 quilômetros ao leste da capital. É esperada uma presença maciça de católicos, mas outros cubanos não crentes devem também ser impulsionados pela simpatia de Bergoglio - sem contar a curiosidade de ver de perto o primeiro líder da Igreja Católica latino-americano.

Personalidades de todo o continente anunciaram que estarão em Havana para receber o Francisco, entre eles a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, e o presidente do Equador, Rafael Corrêa.

Durante a visita tanto em Cuba como nos EUA, são esperados discursos sobre o embargo comercial norte-americano, que impede o desenvolvimento das relações econômicas bilaterais, ponto-chave para uma retomada total da relação entre as duas nações.

 

 

 

Com Associated Press, Ansa e CNN