Com identificação biométrica, eleitores podem demorar mais tempo para votar

Com identificação biométrica, eleitores podem demorar mais tempo para votar
Em todo o país, pelo menos 15% dos eleitores devem demorar mais tempo para escolher seus candidatos nas urnas este ano. Nas eleições que ocorrerão em nove dias, mais de 21 milhões de brasileiros usarão a biometria para se identificar. A Paraíba tem 23 municípios onde os eleitores serão identificados pelo sistema biométrico, o que representa 32% do eleitorado paraibano. Os dois maiores colégios eleitorais do Estado, João Pessoa e Campina Grande, estão entre os 23 municípios onde a biometria foi implantada.
 
Por conta da biometria, o Tribunal Regional Eleitoral na (TRE) trabalha com a possibilidade de que a votação tome um pouco mais de tempo do que vinha sendo observado nas últimas eleições, segundo a diretora-geral do TRE, Alexandra Cordeiro.
 
No Distrito Federal (DF), onde todos os eleitores serão identificados pelas digitais, a expectativa é que a votação seja concluída por volta das 19h, duas horas depois do horário oficial de fechamento dos portões das seções.
 
Técnicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estimam que, com as melhorias e os testes feitos desde 2008, cada eleitor deve gastar, este ano, cerca de um minuto e 14 segundos para votar, cinco segundos a mais do que o registrado na última eleição majoritária. O tempo é uma média que considera tanto o sistema convencional como a identificação biométrica e é calculado do momento em que o eleitor se identifica perante o mesário e se dirige à urna até o instante em que confirma o último dos cinco votos - para presidente da República.
 
Considerando o total de 142 milhões de pessoas que devem votar, a soma desse tempo excedente pode interferir em alguns processos no dia do pleito. Apenas pelo sistema biométrico são 13 milhões de pessoas a mais do que em 2010. Ainda assim, o secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Giuseppe Janino, garante que as votações serão encerradas, normalmente, às 17h, como nos anos anteriores, respeitados os fusos horários.
 
“Não existe um acréscimo considerável se comparamos com o benefício que [a identificação biométrica] traz”, disse ao ressaltar a segurança garantida com a biometria, identificação feita pelas digitais de cada eleitor. “Além disso, estabelecemos um teto de eleitores por seção com o objetivo de evitar que esse pequeno acréscimo, de algo em torno de 20 segundos, venha a causar impacto na formação de filas. Diminuímos o número de eleitores em algumas seções”, explica.
 
Problemas na identificação
Ele admite que há possibilidade de problemas na identificação das digitais de algumas pessoas, como as que trabalham em atividades que desgastam as mãos, como lavouras, ou com a manipulação de produtos químicos. “Esse tipo de cenário possibilita, no momento da identificação, o não reconhecimento do eleitor. Quando o software não consegue ler o número de minúcias na digital, o procedimento é feito na forma convencional”, destaca.
 
No novo sistema, são feitas oito tentativas para cada eleitor, considerando as digitais dos dedos polegares e indicadores de cada mão. Nas últimas eleições, o índice de não reconhecimento foi quase 4%. “Nossa expectativa é que índice seja mantido porque é muito aceitável”, avalia.
 
A porcentagem nestas eleições será calculada sobre um número maior de pessoas. Apesar de não acreditar na extensão do horário de votação, o secretário do TSE admite que a divulgação dos resultados pode sair mais tarde do que a do último pleito geral. Em 2010, a Justiça Eleitoral bateu recorde na apuração, com a conclusão por volta das 20h.
 
“Nosso compromisso é apresentar o resultado final no mesmo dia da eleição. Investimos muito sempre na melhoria do processo, mas nosso objetivo principal é a segurança, precisão e transparência do processo eleitoral. A velocidade é importante para a questão da segurança, mas é um requisito secundário”, afirmou Janino.
 
Agência Brasil com Parlamento PB