Com a crise, brasileiros adiam sonhos de consumo,diz pesquisa

Com a crise, brasileiros adiam sonhos de consumo,diz pesquisa

De cada 100 brasileiros, apenas 17 pretendem consumir algum bem durável até o fim do ano. São poucos os que planejam realizar um sonho de consumo envolvendo itens como televisões, fogões, geladeiras, máquinas de lavar ou celulares. O dado, revelado ontem na Pesquisa do Perfil Econômico do Consumidor da Federação do Comércio do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ), em parceria com o Instituto Ipsos, representa um cenário árido para a indústria e o varejo, que apostam no consumo dos eletroeletrônicos de grande porte para alavancar as vendas dos últimos meses do ano.

O estudo mostra que apenas 17% da população economicamente ativa pretendem realizar uma compra grande. Destes, 43% devem consumir artigos eletrônicos, 35% comprarão eletrodomésticos, 23% investirão em móveis novos para casa, 20% buscarão televisão, 14% fogões e 13% devem gastar dinheiro na troca do carro ou do celular.

Em Pernambuco, as intenções se repetem. Pelo menos até dezembro. As médicas Jamile Farias e Andrea Pimentel estão na parcela da população local que não vai gastar grandes somas nas próximas semanas.

“Sempre existe um sonho de consumo, mas com os preços do jeito que estão, vou adiar para 2016”, revela Jamile. Andrea concorda e completa afirmando que, com a inflação, mal dará para comprar os itens tradicionais da ceia. “O preço dos produtos importados, como amêndoas, já subiram muito. A principal preocupação dos brasileiros agora é conseguir manter o orçamento para as festas”, diz a médica, que adiou uma viagem para 2016. “Vou esperar preços melhores.”

A mesma postura tem o administrador Oscar Lobo, que gostaria de trocar de carro até dezembro, mas já desistiu da nova compra. “Com a gasolina e os custos de manutenção e seguro pipocando, além do IPVA, acabei adiando esse desejo”, revela. Para a caixa Vanessa Magalhães, que já começou a pesquisar os preços de aparelhos de TV para a filha Tainara, desistir não é uma opção. “Estou esperando a Black Friday para realizar essa vontade, mas mesmo com os preços mais altos, não tenho como cancelar, porque já prometi.”

Para Cristian Travassos, gerente de economia da Fecomércio-RJ, o percentual baixo da intenção de consumo não deve ser visto como um dado negativo. “Apesar de ser abaixo do esperado, percebemos que o brasileiro quer manter seu padrão de vida e tem ajustado sua cesta de produtos conforme suas possibilidades, valorizando promoções e grupos de produto mais em conta para preservar seu consumo.

” Por esse motivo, outros dados da pesquisa são relevantes, como o índice de famílias que afirmam estar conseguindo pagar as despesas mensais, que chega a 51%, e de pessoas que apontaram sobra no orçamento depois de todas as despesas pagas: 28% da população. “Os dois números trazem esperança de um 2016 melhor para os consumidores e para a indústria e o varejo nacional.”

 

 

Diário de Pernambuco