Coluna Padre Djacy: "Quem nunca praticou corrupção que atire a primeira pedra"...

Coluna Padre Djacy: "Quem nunca praticou corrupção que atire a primeira pedra"...
Está na crista da onda o termo corrupção. Uma expressão usada a todo instante, não só pela Mídia, mas por todos os cidadãos e cidadãs.
 
Todos falam, comentam, discutem, sobre essa realidade daninha enraizada em vários segmentos representativos da nossa sociedade, motivo de revolta, indignação, ódio e desprezo. Também não é pra menos. Hein?
 
Afinal, o que é corrupção. Onde acontece. Quem pratica esse mal. Quais os seus efeitos maléficos na vida do povo. Quem mais sofre. Quem a pratica. Daí, a pergunta que não quer calar: a corrupção só é praticada por alguns homens e mulheres do mundo da esfera político-governamental?
 
 

E nós, cidadãos comuns, será que estamos imunes a essa praga? Somos os verdadeiros  impolutos?
 
É aí onde nos enganamos.  Muitas vezes não passamos de hipócritas, de fariseus. Criticamos certos políticos ou governantes que praticam corrupção, mas não tomamos consciência de que muitas vezes também praticamos esse mal em grau maior ou menor. Aliás, corrupção é corrupção. Não depende de grau.
 
Elencarei algumas atitudes inconvenientes, descabidas, desrespeitosas, agressivas, desumanas, criminosas, que talvez possamos  considerá-las  como prática  de corrupção  na nossa vida diária. Não sei se estarei infringindo ou deturpando o conceito dado ao adjetivo supracitado. Mesmo assim, caso nunca tenhamos vivenciado na prática um desses itens abaixo, então, podemos “atirar a primeira pedra”.
 
-Estacionar o seu carro num lugar destinado às pessoas idosas ou  com deficiência físicas.
-Furar a fila, quer num Banco, num  hospital ou em outro lugar.
-Querer tirar vantagem em tudo.
-Tomar dinheiro emprestado, por pouco que seja, e não pagar.
-Comprar um objeto e ficar com as prestações atrasadas sem dar satisfação à loja ou ao vendedor.
-Ir a uma bodega, comprar uma coisa e dizer: anote aí, depois eu pago, e nada, e nada.
-Aproveitar sua função de funcionário público para ganhar propina ou presentes.
-Não ser transparente nas prestações de contas de quaisquer instituições.
-Desviar dinheiro de uma instituição para fins pessoais, familiares etc.
-Ficar rico à custa de propina etc.
-Usar da mentira para facilitar a venda ou troca de um veículo, uma casa ou outro objeto qualquer.
-Não pagar com dignidade aos seus trabalhadores, visando obter vantagem financeira com essa atitude.
-Pagar mal aos seus trabalhadores, quando podem pagar bem.
-Ter o hábito de sonegar  impostos.
-Fazer o famoso “gato” para desviar água ou energia.
- “Pescar” ou “filar” na hora da prova escrita.
-“Consultar” o celular na hora da prova.
-Levar, para fazer uma prova de vestibular ou concurso, um “ponto” no ouvido.
-Ficar rico à custa do suor e sangue dos  humildes trabalhadores (comercio, construção civil, agricultura etc.).
-Emprestar dinheiro a alguém, sobretudo a uma pessoa pobre, com juro exorbitante. Exemplo: emprestou mil reais, e agora quer que o devedor pague 1700,00 reais.
-Manter suas contas de água, energia, telefone, aluguel etc. atrasadas propositadamente, quando tem condições de pagá-las.
-Usar o artificio da extorsão visando tirar proveito.
-Usar o jeitinho brasileiro para tirar vantagem em tudo. Exemplo: sou seu amigo, facilite a minha vida aí...
-Comprar e não pagar nem amarrado.
-Usar indevidamente, às escondidas, o wife do seu vizinho ou vizinha.
-Vive da arte da mentira. Adora mentir para conseguir seus intentos.
-Manipular dados de pesquisas visando favorecer a si próprio ou a outro.
-Usar a religião ou o nome de Deus para extorquir, enganar, ludibriar, o fiel ingênuo...
-Usar o dízimo de sua igreja de forma injusta, desonesta etc.
-Desviar material de expediente para levar pra casa: papel de oficio, lápis, borracha, grampo, cola etc.
-Enganar o freguês menos avisado na hora de passar o troco.
 -Não estar nem aí com os seus cartões de créditos. Chega o dia do pagamento, passa dias e mais dias, e nada de pagar.
-Cobrar além do permitido, visando obter lucro, quer no cartório, na igreja, na repartição pública etc.(ex.: a taxa do casamento é tanto, mas cobram outro valor, e alto).
-Desviar dinheiro, por pouco que seja, de uma instituição quer pública ou particular, para fins pessoais.
-Comprar, pela internet ou não, um trabalho acadêmico e depois apresentá-lo como sendo de sua legítima autoria (ex.: monografia)
-Ganhar dinheiro em cima do trabalho de outro, como plagiar uma música.
-Comprar uma peça de roupa por um preço baixo para revendê-la por um preço exorbitante, ou seja, cinco vezes mais o valor da compra original. Exemplo: o vendedor comprou uma camisa por 30,00 reais, mas vende por 150,00.
-Comprar Cds piratas ou outros objetos.
-Chegar sempre atrasado no trabalho sem motivo justo.
-Não cumprir fielmente a carga horária, chegando atrasado ou saindo antes do horário previsto.
-Querer ganhar dinheiro sem pisar os pés no lugar onde trabalha.
-Pegar o cartão de aposentadoria do avô ou da avó para sacar ou fazer empréstimo sem o seu devido consentimento.
-Enganar seus pais ou avós no dia em que recebem sua famigerada aposentadoria, subtraindo um determinado valor.
-Fazer compras sem os pais saberem, a não ser no dia da cobrança.
-Financiar um carro, uma moto ou outro objeto, e depois não honrar dignamente com os compromissos assumidos (as prestações).
-Comprar o voto do eleitor despolitizado quando em tempo de eleição.
 -Dar cesta básica, material de construção etc. ao eleitor visando unicamente o seu voto no dia da eleição.
-Mentir, enganar, prometer o céu e a terra ao eleitor.
-Lutar contra a corrupção, mas votar em político corrupto.
-Lutar contra a corrupção, mas apoiar o maldito projeto de terceirização.
-Lutar contra a corrupção, mas apoiar emissora de Televisão que mente, ludibria, engana etc.
-Lutar contra a corrupção, mas bater palmas para o sistema capitalista que explora o ser humano e o meio ambiente etc.
-Lutar contra a corrupção, mas apoiar a pena de morte, a redução da maioridade penal etc.
-Lutar contra a corrupção, mas apoiar a truculência da policia contra os trabalhadores do campo ou da cidade...
-Lutar contra a corrupção, mas se opor, radicalmente, a um governo que dá prioridade à inclusão socioeconômica...
-Lutar contra a corrupção, mas bater palma para o imperialismo americano, que invade nações, promove guerras etc.
-Lutar contra a corrupção, mas ser contra os movimentos sociais que têm como bandeira a justiça social, a igualdade, a vida, a dignidade da pessoa humana.
-Lutar contra a corrupção, mas fazer de suas empregadas domésticas escravas, humilhando-as, tratando-as com desdém etc.
-Lutar contra a corrupção, mas é contra as pessoas e instituições que lutam por justiça social etc
Uma coisa é certa, mesmo que esteja fora do conceito real, objetivo, do termo corrupção, toda atitude antiética enquadra-se, queiramos ou não, no contexto do termo exposto.
É justo, salutar, necessário, combatermos o mal da corrupção enraizada nas instituições governamentais ou não do nosso país, mas comecemos pelas nossas atitudes incompatíveis com os valores ético-morais que regem nossas vidas em sociedade.
Quem nunca praticou uma dessas atitudes supracitadas, por menor que seja, “que atire a primeira pedra”.
 
 
 
 
Padre Djacy Brasileiro, em 25 de abril de 2015.