Clima. Século XXI regista os anos mais quentes da história

Clima. Século XXI regista os anos mais quentes da história

O ano passado foi, a par de 2007, o sexto ano mais quente desde que há registo. A temperatura média global das superfícies terrestre e oceânica em 2013 foi de 14,5 graus Celsius, o que significa uma subida de meio grau da média de 1961-1990 e 0,03oC acima da média de 2001-2010, que já foi a década mais quente da história. Estes são dados revelados no relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), uma agência das Nações Unidas, que vêm assim provar que o planeta está mesmo a aquecer a cada ano. "Não existem pausas no aquecimento global", lembrou Michel Jarraud secretário-geral da OMM, contrariando algumas teorias que defendiam uma inversão desse processo.

A década 2011-2010 bateu todos os recordes de calor, tendência que acontece há já algum tempo. Nos últimos trinta anos, cada década tem registado temperaturas mais elevadas que a anterior. O relatório avança que 13 dos 14 anos mais quentes da história aconteceram no século xxi. As elevadas temperaturas atingiram com maior intensidade o hemisfério Sul, tendo o ano passado sido o mais quente de que há registo na Austrália, o segundo mais quente no caso da Argentina e o terceiro mais quente na Nova Zelândia.

Na Austrália, a temperatura média no país fixou-se, durante o último ano, 1,20 graus Celsius acima da média de 21,8 graus estimada no período entre os anos 1961 e 1990. O dia mais quente de 2013 foi 7 de Janeiro, no mês em que se registaram também as temperaturas mais elevadas do ano. Entre 2 e 8 de Janeiro foi batido outro recorde relativo ao número de dias consecutivos com temperaturas superiores a 39 graus, 'duplicando' o anterior recorde, registado em 1973. A temperatura mais elevada do ano foi registada no dia 12 de Janeiro, na localidade de Moomba, no Sul da Austrália, com o termómetro a alcançar os 49,6 graus.

Do relatório fica uma nota positiva para as previsões meteorológicas que estão cada vez mais rigorosas, permitindo salvar mais vidas. É referido no documento o exemplo do que aconteceu na Índia, em Outubro do ano passado. As previsões dos especialistas e a acção imediata do governo indiano evitaram o pior, na passagem do ciclone Phailin.

CALOR EM PORTUGAL O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) considera que o Verão de 2013 foi seco a muito seco, com temperaturas acima do normal e menos chuva do que a média. Apesar das primeiras previsões terem apontado para um ano sem calor, a verdade foi outra: o ano passado entrou para o top das temperaturas máximas mais elevadas registadas desde 1931. O país assistiu a duas ondas de calor nos meses de Junho e Julho. A primeira, que atingiu o país entre 22 e 30 de Junho e incidiu na região Centro. A segunda afectou Trás-os-Montes entre 3 e 13 de Julho.

Para que o registo de temperaturas altas seja considerado uma onda de calor, é necessário que a temperatura esteja acima da média para a altura do ano durante mais de seis dias consecutivos. De acordo com os registos meteorológicos, Portugal só tinha registado três ondas de calor nas últimas três décadas: em 1981, em 1991 e em 2003. Na primeira morreram 1900 pessoas; mil na segunda; e na terceira, 1953. Durante a vaga do ano passado morreram 1700 pessoas em Portugal.

 

Emissões de gases provocaram tufão e seca em 2013

O nível do mar subiu 19 centímetros desde o início do séc. XX

Frio extremo na Europa e Estados Unidos, inundações na Índia, neve no Médio Oriente e secas na China e no Brasil foram alguns dos fenómenos de 2013 registados pela Organização Meteorológica Mundial (OMM). “Muitos dos eventos extremos de 2013 são consistentes com o que seria de esperar como resultado das mudanças climáticas induzidas pelo homem”, disse Michel Jarraud, secretário-geral da OMM.
Focando-se nos períodos de seca extrema vivida na Austrália, o especialista refere que seriam “impossíveis” sem as emissões humanas de gases com efeito de estufa.

Michel Jarraud referiu ainda que, em 2013, foram registados mais danos provocados por tempestades e inundações costeiras como resultado da subida do nível do mal, como aconteceu no caso do tufão Haiyan nas Filipinas.

O relatório refere que a Europa e a Ásia são os continentes mais expostos às inundações. À escala mundial, o nível do mar subiu 19 centímetros desde o início do séculoxx, devido principalmente ao aumento da temperatura e ao degelo dos glaciares. “Na zona onde ocorreu o tufão Haiyan”, recordou o especialista, “o nível do mar tinha subido 35 centímetros nos últimos 50 anos e isso tem efeitos inegáveis”.

Além da subida do nível da água, também as temperaturas aquáticas têm registado valores que superam os anteriores recordes. Segundo o documento da Organização Meteorológica Mundial, cerca de 93% do excesso de calor terrestre é absorvido pelos oceanos. Antes de 2000, a maior parte desse calor estava acumulado entre os 700 metros de profundidade e a superfície, mas desde então o calor começou a ficar armazenado entre os 700 e os 2 mil metros, o que causou danos no coral, no marisco e noutros tipos  e espécies de vida marinha.

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