Cientistas estudam porcentagem de casos assintomáticos de zika

Cientistas estudam porcentagem de casos assintomáticos de zika

Um grupo de cientistas de São José do Rio Preto, no interior paulista, vai monitorar ao longo de cinco anos 2,2 mil pessoas em uma área da cidade, a fim de compreender, entre outras coisas, qual é a porcentagem de casos assintomáticos de zika e determinar qual é o risco relativo de ocorrência de microcefalia entre gestantes infectadas com o vírus na cidade.

O projeto, coordenado por Maurício Lacerda Nogueira, do Laboratório de Pesquisas em Virologia da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), faz parte de uma força-tarefa organizada por cientistas paulistas para entender o zika vírus e deter seu avanço. Atualmente, pouco se sabe sobre o vírus, para o qual não há teste diagnóstico comercial, nem tratamento ou vacina.

O financiamento do projeto, de acordo com Nogueira, já havia sido aprovado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), para monitorar a dengue. Agora, os estudos incluirão também os vírus da dengue e chikungunya.

Projeto faz parte de força-tarefa de cientistas
Projeto faz parte de força-tarefa de cientistas

“Em geral, esses estudos para acompanhamento de uma população a longo prazo são feitos de forma passiva, com os pacientes que chegam ao hospital. Mas acompanhando 2,2 mil pessoas de forma prospectiva, poderemos detectar casos que não apresentam sintomas. Isso nos ajudará a descobrir qual a real incidência desses vírus e qual a porcentagem dos casos assintomáticos”, declarou Nogueira ao Estado.

Segundo ele, o estudo será possível porque o sistema de saúde de São José do Rio Preto é eficiente e 100% informatizado. “Se uma dessas pessoas for a um posto de saúde do outro lado da cidade, com febre, receberei uma mensagem no meu computador no dia seguinte”, afirmou.

De acordo com Nogueira, como a população a ser acompanhada inclui gestantes, será possível determinar o risco relativo de microcefalia. “Vamos acompanhar mulheres grávidas mesmo quando não houver ocorrência de microcefalia. Com isso, vamos poder avaliar se, além da zika, há outros fatores envolvidos com a má-formação, como nutrição, genética e etnia”, disse Nogueira.

O bairro escolhido para o estudo tem um histórico de infecção por dengue, segundo o cientista. Na mesma região, o grupo conduz estudos sobre o mosquito, em parceria com a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen). “Vamos poder comparar o vírus no mosquito e no paciente, identificando eventuais mutações genéticas que possam torná-lo mais agressivo. Com esses dados, será possível ainda investigar a interação entre os vírus da dengue e zika.”

 
 
 

Estadão