Cid Gomes abandona plenário da Câmara, e Cunha anuncia processo

Cid Gomes abandona plenário da Câmara, e Cunha anuncia processo

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), anunciou que a Câmara dos Deputados e ele, Cunha, pessoalmente, moverão ações judiciais contra o ministro da Educação, Cid Gomes, que compareceu ao plenário nesta quarta-feira (18) para dar explicações e, sentindo-se "agredido", abandonou a Casa antes de a sessão terminar.

Cid Gomes recebeu uma convocação e foi obrigado a ir à Câmara, devido a uma declaração dada no último dia 27, durante palestra a estudantes da Universidade Federal do Pará. Na ocasião, afirmou que a Casa tem de 300 a 400 parlamentares que "achacam".

“Eu gostaria de dizer que o procurador, que já havia tomado a sua posição de interpelar, vai receber da presidência desta Casa a orientação  de não se ater a uma interpelação, e sim, partir para o processo. E agregado ao processo haverá o processo deste presidente na sua pessoa física", afirmou Eduardo Cunha.

Depois de ter se pronunciado na tribuna, reafirmado as declarações e de ter ouvido as reações de protesto de vários parlamentares, Cid Gomes teve direito, no final da sessão, a se manifestar por mais dez minutos. Depois da fala do ministro, o deputado Sérgio Zveiter (PSD-RJ) foi à tribuna e disse que "esse cidadão está fazendo papel de palhaço, querendo pendurar uma melancia no pescoço".

Cid Gomes pediu respeito e tentou retrucar, mas o presidente Eduardo Cunha cortou o microfone do ministro dizendo que ele "nem é parlamentar para interferir". Diante disso, Gomes deixou o plenário.

 

 

Cunha disse que, diante do “abandono aparente” do ministro, decidiu encerrar a sessão destinada a ouvi-lo. “Peço desculpas aos 71 parlamentares inscritos porque vamos perder o nosso dia de trabalho com quem, parece, que não merece ser perdido”, disse, pedindo ao procurador da Câmara que ingresse com uma ação contra o ministro por ter, segundo Cunha, "afrontado" e "desrespeitado" a Casa.

 

"Não vou admitir que alguém que seja representante do Poder Executivo, não só agrida esta Casa, como agrediu todos os parlamentares, como venha aqui e reafirme a agressão, inclusive chegando ao ponto de querer dominar. Então, a procuradoria vai processar, a presidência vai processar e, se alguém não se sentiu ofendido, tem todo direito de não querer fazer nada e até aplaudir”, declarou Eduardo Cunha.

Demissão
Após deixar o plenário da Câmara, Cid Gomes foi indagado por jornalistas se pediria demissão, conforme os apelos feitos pelos deputados em plenário. O ministro respondeu que o cargo é da presidente Dilma e destacou que, se fosse pedir demissão, não anteciparia o fato à imprensa.

“A presidenta resolverá o que vai fazer. O lugar é dela, sempre foi dela. E eu aceitei, para servir, porque acredito nela. Se eu fosse pedir demissão, eu não poderia, por dever de ética, antecipar, então não vou responder a essa pergunta”, afirmou. Segundo informou o Blog do Camarotti, o ministro deve entregar o cargo à presidente.

O ministro explicou ainda que deixou o plenário antes do término das falas dos líderes partidários porque se sentiu “agredido”.

“Eu fui convocado, não estava no meu desejo. Já tinha vindo aqui na Câmara duas ou três vezes para conversar com os deputados. Comecei a minha vida no parlamento e respeito o parlamento. Agora, infelizmente fui convocado e agredido. Nessa condição penso eu que estou liberado”, declarou.

 
 
 
 

G1