CCJ adia cassação, e Delcídio pode votar

CCJ adia cassação, e Delcídio pode votar

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado adiou nesta segunda-feira (9) a votação da cassação do mandato do senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS), até pelo menos a próxima quinta-feira (12), porque decidiu pedir à Procuradoria-Geral da República o compartilhamento de informações referentes a um aditamento da denúncia contra o senador feita na semana passada.

O requerimento de compartilhamento do pedido de informações sobre o aditamento foi apresentado pelo senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) e foi aprovado pela comissão com o voto contrário apenas do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Durante a discussão do caso, os senadores acataram um argumento apresentado pela defesa de Delcídio de que os parlamentares não poderiam votar o processo de cassação do seu mandato sem conhecer os fatos novos que foram incluídos na denúncia pela PGR.

Com o adiamento, Delcídio poderá votar no processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, previsto para acontecer na quarta-feira (11). Inicialmente, o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), havia dito que a cassação do mandato de Delcídio poderia ser votado na terça (10), evitando que ele participasse da decisão sobre o futuro da presidente Dilma Rousseff. Renan, entretanto, já ameaçou adiar o processo de impeachment.

Como revelou a Folha, a presidente Dilma Rousseff tem pressionado Renan a pautar a votação da cassação de Delcídio no plenário da Casa antes da apreciação da admissibilidade do impeachment da petista porque ela não quer ter entre seus algozes alguém que foi líder do seu governo no ano passado. Delcídio já declarou publicamente sua intenção de votar pelo impeachment.

O senador ocupou o posto até ser preso em 25 de novembro. Após o episódio, ele relatou a interlocutores ter se sentido abandonado pelo pelo PT e pelo governo, que condenaram suas atitudes.

Uma conversa sua com Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró foi gravada e entregue à Justiça. Nela, Delcídio oferecia ajuda à família e traçava um plano de fuga para o pai de Bernardo como forma de convencê-lo a não contar o que sabia sobre os esquemas de corrupção da Petrobras.

Após a prisão, Delcídio admitiu envolvimento no petrolão e fechou acordo de delação premiada, implicando 74 pessoas no esquema.

Solto em 19 de fevereiro, ele pediu seguidas licenças médicas. Na semana passada, ele fez um novo pedido de licença, desta vez por cem dias, para tratar de “assuntos pessoais”.

 

 

 

 

 

Folha