Catástrofes climáticas mataram 600 mil pessoas nos últimos 20 anos

Catástrofes climáticas mataram 600 mil pessoas nos últimos 20 anos

Mais de 600.000 mortes são relacionadas com as catástrofes climáticas nos últimos 20 anos, segundo um novo relatório da ONU. O documento ilustra a urgência de agir contra o aquecimento global, uma semana antes da abertura da COP21, a conferência internacional sobre o clima, em Paris.


Desde 1995, data da primeira conferência das partes sobre alterações climáticas da ONU (COP1), os desastres causados por eventos meteorológicos, como inundações, tempestades, ondas de calor, secas, «provocaram 606.0000 mortes», indicou o Gabinete das Nações Unidas para a redução do risco de catástrofes (UNISDR) num relatório.

Isto representa «uma média de 30.000 vidas por ano, além de 4,1 mil milhões de pessoas feridas, desalojadas ou que necessitaram de ajuda de emergência», afirma a ONU.

A grande maioria das vítimas (89%) viviam em países pobres.

China e os EUA, os dois maiores emissores de gases com efeito de estufa (GEE), responsáveis pelo aquecimento global, sofreram o maior número de desastres, principalmente por causa da extensão dos seus territórios.

Mas foram as populações da China e da Índia (terceiro maior país emissor) as mais afectadas, seguidas daquelas de Bangladesh, Filipinas e Tailândia. Nas Américas, o Brasil foi o país com a população mais afectada. África, Quénia e Etiópia lideram a lista.

As inundações responderam por 47% das catástrofes, afectando 2,3 mil milhões de pessoas, a grande maioria (95%) na Ásia, e provocaram 157.000 mortes.

Embora menos frequentes, as tempestades foram os desastres mais mortais, com 242.000 mortes. Já as temperaturas extremas causaram 164.000 mortes.

Estes desastres, «cada vez mais frequentes», resultaram em perdas financeiras estimadas em 1,9 mil milhões de dólares, de acordo com a ONU.

«Embora os cientistas não sejam capazes de determinar o quanto desse aumento é devido às alterações climáticas (...), é quase certo que veremos um aumento de catástrofes meteorológicas nas próximas décadas», afirma o relatório.

E é por isso que «é tão importante que um novo acordo sobre as mudanças climáticas seja concluído na COP21 de Paris em Dezembro», ressalta a directora da UNISDR, Margareta Wahlstrom, no relatório.

Entre os dias 30 de Novembro e 11 de Dezembro, 195 países reúnem-se em Le Bourget, perto de Paris, para tentar limitar o aumento do termómetro para 2º C em comparação com a era pré-industrial.

Além deste limite, as alterações climáticas tornariam várias regiões do globo inabitáveis, provocando ciclones cada vez mais destrutivos, secas, aumento no nível dos oceanos, queda no rendimento agrícola e a extinção das espécies.

Mas, a uma semana da abertura da COP21, o consenso está longe de ser alcançado em muitos pontos, como a forma jurídica do acordo, o seu carácter vinculativo, a meta de conter o aquecimento global a 2º C - os países mais ameaçados, em especial as pequenas ilhas, defendem limitá-lo a 1,5º C.

A assistência financeira prometida pelos países ricos aos países em desenvolvimento para a sua política climática também será um dos pontos de atrito nas discussões.

Em 2009, os países ricos, historicamente responsáveis pelo aquecimento global, comprometeram-se a investir 100 mil milhões de dólares por ano a partir de 2020 nos países em desenvolvimento.

Mas os destinatários pedem que esse montante seja revisto em alta a partir de 2020, data de entrada em vigor do acordo, e exigem a transferência de tecnologias.

«Queremos justiça climática para os milhões de pobres do mundo», alertou o ministro do Ambiente indiano, Prakash Javadekar.

Um acordo em Paris seria «uma contribuição significativa para reduzir os danos e prejuízos causados pelos desastres», ressalta a ONU no seu relatório.

Cerca de 140 chefes de Estado e de Governo são esperados no primeiro dia da COP21 para dar impulso às negociações sob alta vigilância depois dos ataques mortais em Paris, que deixaram 130 mortos.

 

 

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