Cássio deve ter apoio de Aécio para presidir PSDB, mas vai enfrentar aliado de Alckmin

Cássio deve ter apoio de Aécio para presidir PSDB, mas vai enfrentar aliado de Alckmin

A escolha do novo presidente do PSDB só acontece em maio do próximo ano, durante a convenção nacional do partido, mas a disputa interna pelo comando da legenda já começou. O senador paraibano Cássio Cunha Lima deve ser o indicado pelo atual presidente, senador Aécio Neves, mas vai enfrentar um aliado do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

De acordo com matéria da Folha de São Paulo, Alckmin tem o objetivo de emplacar um homem de sua confiança para, de forma estratégica, rivalizar com Neves o posto de presidenciável da sigla nas eleições de 2018. A troca de bastão é obrigatória  e o Neves  não pode mais se reeleger.

De um lado os alckmistas  alegam que o senador mineiro “deve” ao governador de São Paulo um gesto, já que Alckmin apoiou a recondução de Aécio para o comando do PSDB após ele perder as eleições presidenciais de 2014 para a ex-­presidente Dilma Roussef. Nesse cenário, argumentam deputados e aliados de Alckmin em São Paulo, seria natural que Aécio, agora, apoiasse um nome indicado pelo paulista para sucedê-­lo na chefia da sigla.

Do outro lado, Aécio não tem demonstrado disposição em seguir esse plano. Nos bastidores, o senador Cássio Cunha Lima, hoje líder dos tucanos no Senado, desponta como o nome do colega mineiro para a presidência do PSDB. O paraibano é aliado de primeira hora de Aécio e atua em dobradinha com o mineiro na definição das estratégias do partido e siglas aliadas no Congresso.

O comando da máquina partidária é visto como fator imprescindível para que Alckmin tenha uma candidatura competitiva, caso haja prévias para definir o nome tucano para 2018. O mandato de presidente nacional e de todo o diretório do PSDB é de dois anos. O nome eleito em 2017, portanto, terá papel central na definição do rito e do formado de uma eventual disputa interna.

Alckmin tem pregado a realização de prévias com militantes para a escolha de candidatos majoritários do partido. Hoje, porém, Aécio tem o apoio quase hegemônico dos tucanos com direito a voto na convenção nacional.

Participam da escolha os integrantes do diretório nacional, os ex-­presidentes da legenda e ainda os delegados do partido, escolhidos em convenções estaduais. O número de delegados que cada Estado tem direito é proporcional à votação que a sigla recebeu naquele local.

No comando do partido há quatro anos, Aécio tem domínio dessa máquina e, hoje, tucanos de todos os matizes consideram praticamente impossível que ele seja derrotado numa disputa interna. Por isso, Alckmin precisaria, primeiro, trabalhar por um acordo com o senador ou, em último caso, mobilizar forças o suficiente para tentar rivalizar com ele em uma disputa entre o seu candidato e o de Aécio.

 

 

 Folha de S. Paulo