Cardozo diz que delação de Delcídio é 'conjunto de mentiras'

Cardozo diz que delação de Delcídio é 'conjunto de mentiras'

O novo advogado-geral da União e ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou em entrevista coletiva nesta quinta-feira (3) depois de cerimônia de transmissão de cargo, que, se de fato houve, a delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) é um "conjunto de mentiras".

Nesta quinta-feira, a revista "IstoÉ" informou que Delcídio firmou com a Procuradoria Geral da República (PGR) um acordo de delação premiada no qual fez acusações ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à presidente Dilma Rousseff.

De acordo com a publicação, ele disse que Lula tinha conhecimento do esquema de corrupção na Petrobras e que Dilma agiu para interferir na Operação Lava Jato.

 

"Se há uma suposta delação, nós temos um conjunto de mentiras [...] Eu tenho reiteradamente dito que uma delação premiada pode dizer uma verdade, uma verdade seletivamente, ou pode ser só de mentiras. Uma delação pode ter vários componentes", declarou.
 
Sobre a nota que Delcídio emitiu em que não confirma a reportagem da revista “IstoÉ”, Cardozo comemorou. “Que bom [que ele não confirmou]. Fica a explicação que estou dando pelo que foi divulgado e não pelo que ele não assinou”, disse o advogado-geral da União.

 

Cardozo também contestou declaração de Delcídio, segundo a reportagem, de que o ministro Marcelo Navarro teria sido indicado para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) a fim de favorecer acusados na Operação Lava Jato.

"No período que estive no MJ, eu já tive 16 ministros nomeados para o STJ, sendo que 14 já foram empossados. Cinco nomeações entre os 11 do STF. Vocês podem procurar cada um desses ministros e indagar se em algum momento eu busquei, ou alguem buscou em nome do governo, algum tipo de negociação para casos concretos", afirmou.

 

Ele disse que Delcídio do Amaral "cotidianamente" o procurava no ministério para que ele intercedesse junto a outras autoridades. "'Você tem que falar com Janot, com ministros, porque advogado disse isso, aquilo'. Eu vi que ele não estava defendendo nada que não fosse sua própria sobrevivência. Isso infelizmente aconteceu", declarou.

 

Segundo Cardozo, se não interferiu na Lava Jato, o governo não iria interferir no Judiciário. "O governo Dilma não interveio na Lava Jato, não interveio na Polícia Federal. Se nós não interferimos na Polícia Federal, que está na nossa área, como nós teríamos feito intervenções em setores de outros poderes?", indagou.

 

"A presidente Dilma nunca se reuniu com o senador Delcídio para discutir indicações ao STJ. Todas as reuniões e contatos da Dilma pra tratar do Judiciário eu sempre estive presente. Quando ela vai se reunir com ministros do STF e do STJ ela me chama. Por que diabos ela chamaria um senador que não é da área jurídica para intermediar conversas com ministros de STF, STJ?", questionou.
 
CPI dos Bingos
Ainda sobre a reportagem da revista “IstoÉ”, Cardozo disse que não fazem sentido as afirmações de que Delcídio teria interferido para proteger a presidente Dilma Rousseff na CPI dos Bingos.

 

“Delcídio diz que na CPI dos Bingos teria agido para proteger a presidente Dilma e que isso comprometeria a campanha da presidente de 2010. A CPI dos Bingos vai de julho de 2005 a junho de 2006 e a presidente havia assumido há cerca de uma semana a Casa Civil. Tem lógica? Ele intervir para beneficiar a presidente Dilma que havia assumido a Casa Civil há uma semana?”, questionou.

 

“Ele está misturando fatos na tentativa de fazer a sua vingança. Se é que ele fez essa delação premiada”, completou Cardozo.
 

Cardozo também disse que não tem conhecimento sobre o pagamento, relatado por Delcídio, de pedágio que parlamentares cobravam para não convocar empreiteiros para a CPI da Petrobras. O AGU disse, ainda, que os parlamentares citados devem se pronunciar sobre as afirmações do senador.

 

 

 

G1