Captação da poupança é a menor para meses de agosto em oito anos

Captação da poupança é a menor para meses de agosto em oito anos

Os depósitos superaram os saques na caderneta de poupança em R$ 518 milhões no mês de agosto, informou o Banco Central (BC), quinta-feira (4). Esta foi a menor entrada líquida de recursos para meses de agosto desde 2006, quando houve a retirada de R$ 280 milhões.

No acumulado dos oito primeiros meses deste ano, a captação da poupança (depósitos menos retiradas) somou R$ 14,16 bilhões, a menor entrada de recursos para este período do ano desde 2011, quando R$ 5,31 bilhões entraram na poupança. Na comparação com o mesmo período do ano passado, houve queda de 66,4% (em relação a ao ingresso de R$ 42,25 bilhões em 2013).

Depósitos, retiradas e saldo da poupança
Em agosto deste ano, ainda segundo o BC, os depósitos na caderneta de poupança somaram R$ 135,57 bilhões, enquanto os saques ficaram em R$ 135,05 bilhões. O volume dos rendimentos creditados nas contas dos investidores alcançou R$ 3,6 bilhões no mês passado.

Com isso, o volume total de recursos aplicados na caderneta subiu em agosto deste ano. No fechamento de 2013, o estoque de recursos na poupança totalizava R$ 597,94 bilhões, subiu para R$ 634,35 bilhões em julho e para R$ 638,47 bilhões em agosto.

Cenário econômico e baixa atratividade
Segundo economistas, o cenário econômico, com alta da inflação e do nível de endividamento das famílias, tem contribuído para a queda no volume de entrada de recursos na caderneta de poupança neste ano. Além disso, o processo de aumento dos juros básicos da economia (a Selic), implementado pelo Banco Central entre abril do ano passado e maio deste ano, diminuiu a rentabilidade da poupança frente a outras modalidades de investimento.

De acordo com cálculos da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), com a estabilidade da taxa básica de juros da economia em 11% ao ano desde o final de maio, as aplicações em renda fixa como fundos de investimento mantêm mais atratividade e "ganham da poupança na maioria das situações".

Isso ocorre porque o rendimento dos fundos de renda fixa sobe junto com a Selic. Já o rendimento das cadernetas, quando a taxa de juros está acima de 8,5% (o que acontece desde agosto), é fixo em 6,17% ao ano mais a variação da TR (Taxa Referencial, que é calculada pelo BC). Segundo a Anefac, as cadernetas de poupança vão continuar mais interessantes frente aos fundos de renda fixa quando a taxa de administração cobrada por eles for superior a 2,5% ao ano.

Fundo de reserva
Especialistas avaliam que, independentemente do rendimento, a caderneta de poupança ainda é uma boa opção de investimento em alguns casos. Pode ser uma boa opção, por exemplo, para pequenos poupadores (com pouco dinheiro guardado), para pessoas que buscam aplicações de curto prazo (poucos meses) ou que procuram formar um "fundo de reserva" para emergências – uma vez que não há incidência do Imposto de Renda.

Nos fundos de investimento, ou até mesmo no Tesouro Direto (programa do governo de compra de títulos públicos pela internet) há cobrança do imposto de renda e, na maior parte dos casos, de taxa de administração. Nos fundos de investimento e no Tesouro Direto, o IR incide com alíquota regressiva, ou seja, quanto mais tempo os recursos ficarem aplicados, menor é o valor da alíquota incidente no resgate.

 

G1