Candidato à PGR, Bonsaglia quer mais procuradores na Lava Jato

Candidato à PGR, Bonsaglia quer mais procuradores na Lava Jato
Um dos quatro candidatos a Procurador-Geral da República, o procurador Mario Bonsaglia afirmou ao 
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que, caso seja indicado ao cargo, as investigações da Lava Jato envolvendo políticos terão continuidade não só com o grupo "hoje constituído na PGR, [mas] por mais alguns colegas com sólida atuação na área criminal".
 
 
Além da ampliação do número de investigadores na Lava Jato, Bonsaglia promete que uma eventual alteração feita no "grupo que assessora o PGR será gradual, de modo que não haja qualquer [problema] de continuidade".
 
 
Experiente, Bonsaglia integra o Ministério Público Federal desde 1991. Em 2014, foi promovido ao cargo de subprocurador-geral da República. Coordenou a câmara de controle externo da atividade policial, foi membro do conselho superior do MPF, procurador regional eleitoral em São Paulo e conselheiro do CNMP. É formado em direito pela Universidade de São Paulo (USP).
 
 
A 10 dias da eleição que formará a lista tríplice para procurador-geral da República, o
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começa a publicar nesta segunda-feira (27) entrevistas com os candidatos a PGR — além de Bonsaglia, concorrem Carlos Frederico Sampaio, Raquel Dodge e o atual PGR, Rodrigo Janot, que busca a recondução. Os questionamentos foram enviados por e-mail na semana passada.
 
 
O mais votado entre os 1,2 mil procuradores encabeçara a lista tríplice enviada a presidente Dilma Rousseff. Desde o governo do ex-presidente Lula, o primeiro colocado da lista tem sido escolhido para liderar o Ministério Público Federal.
 
 
Blog - Se o sr. (sra) for escolhido fará modificações nos procedimentos da Lava Jato?
Mario Bonsaglia
- Minha primeira viagem durante a campanha eleitoral foi para Curitiba. Além de me reunir com os membros da Procuradoria da República local, visitei os colegas que integram a Força Tarefa Lava Jato, oportunidade em que expressei-lhes meu apreço pelo trabalho que vem sendo feito. Também afiancei-lhes que, se vier a ser escolhido Procurador-Geral da República, terão de mim todo o apoio necessário para as investigações em curso a partir de Curitiba. Do mesmo modo, na hipótese de eu vir a ser o próximo PGR, as investigações da Lava Jato envolvendo autoridades com foro por prerrogativa de função perante o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça terão também plena continuidade, sob meu comando e com o auxílio do grupo de apoio hoje constituído na própria PGR, que será desde logo integrado por mais alguns colegas com sólida atuação na área criminal, que designarei.
 
Qualquer alteração que venha a ser feita nesse grupo que assessora o PGR no caso será gradual, de modo que não haja qualquer solução de continuidade. Ao longo de meus 30 anos de carreira jurídica, dos quais 25 no MPF, quase sempre atuei em matéria criminal, inclusive em alguns casos complexos, em meio a muitas pressões, de modo que, se vier a ser escolhido para o cargo, estarei plenamente capacitado em assimilar rapidamente tudo o que diga respeito ao caso, que receberá toda a atenção necessária
 
 
Blog - O Ministério Público tem sido criticado pelos  parlamentares citados na Operação por erros técnicos e motivação política. Isso pode levar a uma crise institucional??
Mario Bonsaglia
- Não me cabe emitir juízo de valor sobre a condução atual do caso Lava Jato, até porque não tenho acesso aos autos. Se eu vier a ser o responsável pelas investigações, serão estritamente observados os procedimentos legalmente previstos, como, aliás, deve ocorrer em todos os casos. A atuação do membro do Ministério Público deve ser sempre pautada pela isenção e serenidade, devendo a postulação de qualquer medida judicial ser devidamente fundamentada. Não vejo, no horizonte, perspectiva de crise institucional.
 
 
Blog - Procedimentos de investigação contra o chefe de um poder é uma decisão puramente técnica ou ela tem fundamentos políticos?
Mario Bonsaglia
- A decisão de investigar deve sempre ser estritamente técnico-jurídica, havendo necessidade de se demonstrar a existência de justa causa para a abertura de investigação. Ou seja, tem de ter fundamentação, até porque está sujeita a controle judicial, no caso, do STF.  O fato de o investigado ser uma alta autoridade da República não pode, naturalmente, dar margem a qualquer tratamento político do caso. Há que se atuar sempre com responsabilidade, ciente da gravidade das consequências, e observando sempre o que determina a Constituição e a leis.
 
 
Blog - O sr.(sra.) tem alguma proposta para evitar divergências entre MP e PF em procedimentos investigatórios, como as que se tornaram públicas durante a Operação Lava Jato?
Mario Bonsaglia
- Mais uma vez, não me cabe emitir juízos de valor com referência a caso concreto em que não atuo. O que posso dizer, pensando na generalidade dos casos, é que a sociedade espera que os órgãos públicos responsáveis pela persecução penal, como é o caso do Ministério Público e da Polícia, atuem de modo harmônico. A Constituição já traça os limites de cada um. O trabalho de investigação, que é inerentemente invasivo da esfera individual, não é um fim em si mesmo, investigando-se por investigar. Está direcionado a um resultado útil, que é o de permitir ao Ministério Público, titular da ação penal, dispor dos elementos que entende necessários para que possa manifestar-se fundamentadamente, seja pelo oferecimento de denúncia, seja pelo arquivamento.
 
 
 

G1