Bbom usa laranja para tentar sacar dinheiro bloqueado, diz Justiça

Bbom usa laranja para tentar sacar dinheiro bloqueado, diz Justiça

Com cerca de R$ 300 milhões bloqueados pela Justiça por supostamente praticar pirâmide financeira, a empresa Embrasystem - conhecida como BBom - tentou frustrar o bloqueio judicial, na semana passada, segundo informações divulgadas nesta terça-feira pelo ministério Público Federal (MPF).

De acordo com o MPF, a empresa utilizou a esposa do diretor de marketing da empresa como "laranja" para sacar R$ 2,48 milhões em dinheiro.O MPF afirmou que a operação não foi realizada porque a Justiça concedeu uma ação cautelar incidental para impedir a fraude. Em nota, os procuradores da República Helio Telho e Mariane Guimarães afirmaram que "está claro que o grupo tentou organizar um esquema de contas de terceiros (laranjas) para movimentar os recursos que deveriam estar à disposição da Justiça".O Terra entrou em contato com a Bbom, mas até o momento não obteve retorno.

 

Entenda


No início de julho as atividades da Bbom foram suspensas após o MPF-GO entrar com ação acusando a empresa de praticar pirâmide financeira. Entre os bens bloqueados estão cerca de cem veículos, sendo alguns de luxo como Ferrari, Lamborghini e Mercedes, além de R$ 300 milhões em contas bancárias do grupo.

O MPF ainda afirmou que o que chamou atenção no caso é que, antes da criação da Bbom, as empresas não movimentaram mais do que R$ 300 mil por ano e, "em pouco mais de seis meses, o fluxo financeiro do grupo aumentou cerca de 3.000%".

De acordo com o MPF, no caso da Bbom o produto que supostamente sustentaria o negócio é um rastreador de veículos. "Como em outros casos emblemáticos de pirâmide financeira, isso é apenas uma isca para recrutar novos associados", afirmou o comunicado do ministério.Segundo o MPF, no sistema adotado pela Bbom, "os interessados associavam-se mediante o pagamento de uma taxa de cadastro (R$ 60,00) e de um valor de adesão que variava dependendo do plano escolhido, obrigando-se a atrair novos associados e a pagar uma taxa mensal no valor de R$ 80,00 pelo prazo de 36 meses.

O mecanismo de bonificação aos associados era calculado sobre as adesões de novos participantes. Quanto mais gente era trazida para a rede, maior era a premiação prometida"."O negócio, porém, não se sustentava com venda do produto 'rastreador veicular', que, aliás, para ser comercializado, precisa de autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A agência informou, no processo, que não foi concedida nenhuma autorização para que as empresas condenadas trabalhassem com esse tipo de produto, já que esses rastreadores são considerados uma estação de telecomunicações e necessita de licenciamento pela Anatel", afirmou o MPF.

Fonte: Com informações do Terra