Banco Central piora de 1,1% para 2,7% estimativa de contração da economia

Banco Central piora de 1,1% para 2,7% estimativa de contração da economia

No auge da turbulência no mercado financeiro — com o dólar maior que R$ 4 por causa do cenário político — o Banco Central admitiu nesta quinta-feira que a recessão econômica de 2015 será bem maior do que esperava antes. A projeção para a queda na atividade econômica passou de 1,1% para 2,7% neste ano. O BC culpou o Ministério do Planejamento pela crise mais profunda do que a anunciada por ter enviado ao Congresso Nacional um orçamento para o ano que vem com despesas maiores que receitas. E alertou que, se não houver mudanças, o governo comprometerá ainda mais a situação econômica do país.

Na visão da autoridade monetária, o orçamento no vermelho desorganizou a economia e atrapalhou o trabalho de controlar a inflação. Assim, a perspectiva é de mais aumento de preços. A estimativa para a inflação oficial também será maior: a estimativa subiu de 9% para 9,5%, segundo o relatório trimestral de inflação, a publicação mais importante da autoridade monetária.

“A perspectiva de nova mudança de trajetória para as variáveis fiscais, implícita na proposta orçamentária para 2016, afetou as expectativas e, de forma significativa, os preços de ativos. Nesse sentido, o Comitê nota que alterações significativas na trajetória de geração de superávit primários impactam não apenas as hipóteses de trabalho contempladas nas projeções de inflação, mas também a precificação de ativos e a percepção de risco da economia, contribuindo, se não ocorrer mudança de direção, para uma avaliação negativa sobre o ambiente macroeconômico no médio e no longo prazo”, alerta o BC.

 

PRIMEIRO RELATÓRIO DESDE REBAIXAMENTO

Com a mudança, o BC se alinha às estimativas do mercado financeiro, que também espera contração de 2,7% neste ano e inflação de 9,34%, segundo a última pesquisa feita pela própria autoridade monetária. Já o governo trabalha com retração do Produto Interno Bruto (PIB) para o ano de 2,44%, ante o recuo de 1,49% previsto no terceiro bimestre, segundo relatório de avaliação de receitas e despesas primárias divulgado nesta terça-feira pelo Ministério do Planejamento. O documento mostrou também um aumento de 9% para 9,29% na previsão de inflação.

Esse é o primeiro documento oficial do Banco Central divulgado após o rebaixamento da nota de classificação de risco da agência Standard & Poor’s. Há duas semanas, a S&P retirou o grau de investimento do Brasil, o selo de bom pagador de sua dívida.

No relatório, o BC mostra a influência do quatro fiscal do país no controle da inflação. O envio de um orçamento deficitário para o ano que vem pelo governo dificulta a credibilidade do país e atrapalha o controle da inflação.

Até então, o documento mais recente do BC era a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Ela já dizia que o fato de o governo ter mandado o orçamento com déficit para o Congresso Nacional e a explosão da cotação do dólar aumentam o risco de a inflação não ir para a meta de 4,5% no ano que vem, nem mesmo com recessão econômica e aceleração do desemprego.

Ainda previa que a crise econômica deve ser mais longa que o previsto até agora. Mesmo sem levar oficialmente em consideração a mudança no rating do país, o Copom divulgou uma ata muito diferente do tom do comunicado da semana passada, quando os diretores do BC previam que a recessão da economia seria suficiente para conter os preços. Agora, dizem que há mais riscos para que a meta de inflação não seja cumprida.

 

 

O Globo