Assessores dos senadores Cícero Lucena e Ciro Nogueira tiveram voos pagos por Alberto Yousseff, da Operação Lava Jato

Assessores dos senadores Cícero Lucena e Ciro Nogueira tiveram voos pagos por Alberto Yousseff, da Operação Lava Jato

O senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do Partido Progressista (PP), informou nesta terça-feira (9) que demitiu funcionário de seu gabinete que admitiu ter viajado de Brasília para São Paulo, em janeiro de 2012, com passagens aéreas pagas pelo doleiro Alberto Yousseff, preso pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF).

Reportagem publicada na edição desta terça-feira (9) do jornal “O Estado de S. Paulo” revela que o doleiro, acusado de ser um dos líderes de um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, custeou bilhetes aéreos para assessores de Nogueira e do senador Cícero Lucena (PSDB-PB).

A publicação afirma ter tido acesso ao recibo da compra das passagens aéreas de ida e volta, para os funcionários dos dois parlamentares, no valor de R$ 3.364,96. Ainda de acordo com o texto, os assessores Mauro Conde Soares, que atuava até esta terça no gabinete de Ciro Nogueira, e Luiz Paulo Gonçalves de Oliveira, que trabalha com Lucena há oito anos, embarcaram no dia 4 de janeiro de 2012 com destino ao aeroporto de Congonhas com os bilhetes bancados pelo doleiro. A reportagem informa ainda que as passagens foram faturadas pela Arbor Contábil, empresa da contadora do doleiro, Meire Poza.

Nogueira afirmou que, em um primeiro momento, seu assessor negou ter viajado às custas do doleiro, mas, depois, reconheceu ter recebido as passagens de Yousseff. Procurada, a assessoria de imprensa do senador Cícero Lucena, não deu qualquer resposta até a última atualização desta reportagem.

“Ele [Mauro Soares] confessou e pediu desculpas. Ontem, saímos do meu gabinete e eu o levei à Polícia Legislativa do Senado para que prestasse depoimento, até para sabermos se existia mais alguém do gabinete envolvido, mas ele assumiu sozinho e eu o demiti”, afirmou Ciro Nogueira.

Nogueira disse ao G1 assumir a responsabilidade sobre o funcionário de seu gabinete, mas disse não ter “qualquer relação” com o fato de o assessor ter viajado para São Paulo em 2012 às custas de Alberto Yousseff.

“Quando fui procurado pelo jornal, conversei com ele e ele negou, mas afirmei a ele que o jornal tinha as provas e, então, ele assumiu que tinha viajado. [...] Eu assumo a responsabilidade sobre o funcionário, mas eticamente e moralmente eu não tenho qualquer relação, nada, nada, nada a ver com essa situação, que às vezes a gente como homem público está sujeito a isso”, disse.

Depoimento de ex-diretor
Segundo reportagem da revista "Veja" desta semana, o ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, preso na Operação Lava Jato, revelou em depoimento que  três governadores, seis senadores, um ministro e pelo menos 25 deputados federais foram beneficiados com pagamentos de propinas oriundas de contratos com fornecedores da estatal.

Paulo Roberto Costa, assim como Youssef, foi preso na Operação Lava Jato. Ele é suspeito de ter ligações com o doleiro e intermediar negociações na Petrobras com pessoas ligadas a Youssef.

O senador do Ciro Nogueira foi citado pela "Veja" na  como um dos políticos que teriam sido mencionados por Paulo Roberto Costa.  A reportagem de "Veja" não detalha o papel que cada um dos políticos citados por Costa teve na suposta fraude.




G1

 

G1