Assentados paraibanos recebem mudas de plantas medicinais e aromáticas

Assentados paraibanos recebem mudas de plantas medicinais e aromáticas

Maria de Lurdes Soares, de 64 anos, mais conhecida como Dona Quinca, é uma das “médicas populares” que utilizam plantas medicinais para tratar enfermidades simples, como febre, gripe e sintomas causados pelo surgimento dos dentes nas crianças – uma tradição que começou com a avó e passou para a mãe da agricultora, do Assentamento Emanoel Joaquim, em Areia, no Brejo paraibano. Agora, o trabalho da assentada conta com o reforço do projeto “Produção e distribuição de mudas medicinais e aromáticas para as comunidades de pequenos agricultores”, que distribuiu, do dia 18 de junho até a última quinta-feira (26), nove mil mudas de plantas medicinais e aromáticas em dez assentamentos de cinco municípios paraibanos.

O projeto foi desenvolvido pela Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba (Emepa) e financiado pelo Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza do Estado da Paraíba (Funcep), em parceria com a Cooperativa de Trabalho Múltiplo e Apoio às Organizações de Autopromoção (Coonap), entidade contratada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na Paraíba para prestar assistência técnica em 28 assentamentos da reforma agrária no estado, onde vivem 1.092 famílias de trabalhadores rurais.

A entrega das mudas está sendo acompanhada pelos pesquisadores da Emepa Luciano Brito e Marinévia Medeiros, além de técnicos da Coonap. As primeiras mudas chegaram ao Assentamento Emanoel Joaquim, onde vive Dona Quinca, e aos assentamentos Socorro, União e Esperança, em Areia, no dia 18. No dia 20, a entrega de mudas ocorreu no Assentamento José Antônio Eufrouzino, em Campina Grande; no dia 25, houve a distribuição das mudas nos assentamentos Santa Cruz e Vitória, também em Campina Grande, e Cachoeira Grande, em Aroeiras. O trabalho de distribuição de mudas foi encerrado nesta quinta-feira (26), com a visita dos técnicos aos assentamentos Imbiras, em Massaranduba, e Chã do Bálsamo, em Matinhas.

Durante a entrega das mudas, técnicos da Coonap e da Emepa orientaram os assentados sobre a seleção da área da horta e tiraram dúvidas sobre o plantio e sobre espécies ainda desconhecidas dos agricultores. Na próxima fase do projeto, os agricultores receberão orientações sobre o preparo das plantas medicinais e suas aplicações na cura das doenças.

O engenheiro agrícola da Coonap, José Diniz das Neves, explicou que, com a implantação de hortas de plantas medicinais e aromáticas nos assentamentos os assentados terão, além de uma nova fonte de renda com a comercialização das plantas, uma "farmácia viva", com espécies que podem ser utilizadas, por exemplo, como analgésico, antisséptico, broncodilatador e no tratamento de contusões.

De acordo com o engenheiro, dez dos 28 assentamentos assistidos pela Coonap foram beneficiados com o projeto. Um dos critérios utilizados para a distribuição das mudas foi a existência de reservatórios de armazenamento de água.

Entre as 30 espécies de mudas distribuídas – algumas delas relacionadas pelo Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos do Sistema Único de Saúde (SUS) –, estão as de camomila, que combate dermatites e feridas simples; guaco, que é broncodilatador; mil-folhas, que serve para tratar úlceras, feridas e também é utilizada como analgésico; artemísia, utilizada nas doenças do estômago, fígado, rins e para vermes; arnica, utilizada para contusões; gengibre, que serve para tosse; mastruz, utilizado para corrimento vaginal e como antisséptico local; erva-doce, que pode ser utilizado como antisséptico, repelente e aromatizante; saião, que serve para furúnculos; hortelã da folha miúda, utilizado como expectorante e analgésico tópico; e arruda, que é anti-inflamatório tópico.

 

 

Assessoria