Assassino confesso de 39 mulheres em Goiânia era calmo, diz amante

Assassino confesso de 39 mulheres em Goiânia era calmo, diz amante

Tiago Henrique Gomes da Rocha era um menino loirinho, de franjinha, olhos claros. "Já nasceu lindo", dizia-se na família. O "serial killer" de Goiânia tem agora 26 anos, cabelos e olhos castanhos, 1,98 m de altura, porte atlético. Nada lhe falta para atrair mulheres.

Atacou 16 moças em locais públicos. Não as seduziu, violentou e matou, como outros assassinos em série. Chegou, atirou e se foi. Mata para extravasar uma "raiva" que o domina, diz a polícia (ainda não foi avaliado por peritos).

Em matéria de sexo, na verdade, é tranquilo. C.R., sua vizinha, traiu o marido para tornar-se sua amante. Diz que, nos momentos íntimos, ele pedia calma. No armário do quarto de Tiago, trancado a cadeado, a polícia encontrou, entre vários objetos, uma boneca inflável.

Em seus ataques, mirou a cabeça ou o peito. Não errou um tiro. É verdade que há quatro anos fez um curso de vigilante armado. Aprendeu a manejar um revólver calibre 38, igual ao que usaria para matar. O curso é necessário para quem quer empregar-se na profissão -trabalho que exercia quando assassinou as 16 moças, segundo confessou, de janeiro a agosto deste ano. As mortes, 39 no total, começaram em 2012.

Para o emprego, a lei exige ter sido aprovado em exames de saúde física, mental e psicotécnico. O "serial killer" passou nos exames.

Uma característica marcou-o desde a infância. Sempre foi calado, introspectivo. Estranho, dizem alguns. "Fica na dele", definem outros. Colegas de trabalho dizem que não olhava diretamente para as pessoas.

Nasceu e viveu no Vera Cruz II, conjunto de moradias populares criado em 1979, na periferia de Goiânia. Em junho de 2013, morava com a mãe em uma casa muito simples, nos fundos da moradia principal. Nesta, viviam C.R., uma técnica de segurança no trabalho, de 30 anos, e o marido, de 46.

As casas tinham área de serviço comum, e dois tanques, um ao lado do outro. Muitas vezes C.R. lavava roupa em um deles, Tiago em outro. "Fomos conversando, ele ouvia mais do que falava", diz ela. Além disso, o rapaz boa pinta entrava na casa da vizinha para usar o computador. "Ficava assistindo a filmes de humor."

Ela estranhava a maneira de viver do vizinho. "Não tinha vida social, um caso amoroso, não ia em festa." Acabou descobrindo que ele bebia vodca e pinga, em casa; escondido da mãe, evangélica.

"É um cara bonito, vai envolvendo a gente." Mostrou-se "atencioso, prestativo". Levava-a de moto a lugares a que precisasse ir.

"Foi muita amizade, quando vi já estávamos envolvidos em sexo", diz.

Como aconteceu? O "serial killer" agarrou a vizinha no tanque e a beijou. "Depois trocamos beijos e abraços durante um mês. Em uma manhã [eram 8h30, o marido saíra para o trabalho], eu estava no sofá de casa, ele olhou para mim e entendi. Levantei e fui para a cama, ele atrás."

Na cama, era "tímido, calmo". "Ele pediu para eu fazer movimentos mais calmos."

A mãe de Tiago descobriu o caso, passou a pressionar C.R. "Achei melhor desistir", afirma ela. Diz que Tiago ficou três meses fora, e voltou para a mãe. Agora não cumprimentava a ex-amante, tratava-a com rispidez. Mas não a agrediu, nem ameaçou.

C.R., por sua vez, reagiu. "Sentei com meu marido, contei tudo. Ele entendeu, resolvemos esquecer o passado." Mudaram para outra casa, na mesma rua. Tiago e a mãe continuaram na casa dos fundos, até ele ser preso, em 14 de outubro.


 

Folha.com