'Arlinda Marques' é interditado. Segundo o CRM-PB pediatras que atendem na unidade precisam trabalhar uma hora a mais para cobrir falta de profissionais na escala

'Arlinda Marques' é interditado. Segundo o CRM-PB pediatras que atendem na unidade precisam trabalhar uma hora a mais para cobrir falta de profissionais na escala

A partir da meia-noite de amanhã, o atendimento de urgência e emergência do Hospital Infantil Arlinda Marques, considerada a maior instituição pediátrica da Paraíba, estará suspenso. A medida é resultado da interdição ética feita no local pelo Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB), que constatou a quantidade insuficiente de pediatras para atender a população. Já a Secretaria de Estado da Saúde (SES) garantiu que a interdição não será mantida.

Segundo o diretor de Fiscalização do CRM-PB, Eurípedes Mendonça, o problema no Arlinda Marques se deve à remuneração dos médicos. Ele explicou que 17 pediatras trabalham no hospital, se revezando em plantões de 12 horas. O total de profissionais é insuficiente para cobrir a jornada semanal de atendimentos. Por conta disso, cada  médico realiza uma hora extra, totalizando 13 horas de serviços.

No entanto, a remuneração desses profissionais ainda é inferior em relação aos colegas que atuam no Hospital Edson Ramalho e na Maternidade Frei Damião, que são duas instituições mantidas pelo governo do Estado. “Há muito tempo, os profissionais do Arlinda Marques vinham reivindicando uma isonomia, para ganhar o mesmo valor pago aos colegas das outras duas instituições. Mas o governo não se posicionou sobre isso”, disse Eurípedes Mendonça.

Diante da indefinição, os médicos do Arlinda Marques resolveram trabalhar apenas 12 horas por plantão e não cumprir mais a hora extra. Com isso, o hospital ficará dois dias sem médico plantonista e no restante da semana a quantidade diária de profissionais vai cair de quatro para um.

“Se com quatro médicos, a gente sabe que o hospital fica superlotado. Imagine como vai ficar apenas com um? Sem condições de trabalho”, constatou o diretor do CRM-PB. 
Com a interdição, o Arlinda Marques vai realizar apenas atendimentos ambulatoriais. Os pacientes em estado de emergência ou urgência deverão ser encaminhados para os hospitais Edson Ramalho, Lauro Wanderley, Rodrigues de Aguiar e Ortotrauma de Mangabeira.

 Esta é a 28ª interdição feita pelo CRM/PB em unidade de saúde apenas neste ano. “A interdição não vai entrar em vigor imediatamente porque queremos dar tempo para que o governo tome providências”, completou Eurípedes.

O secretário de Estado da Saúde, Waldson Souza, disse que a interdição não será mantida e criticou a medida adotada pela CRM-PB. “Não é função do CRM-PB fazer movimento sindical, porque fizeram interdição por questão salarial. Iremos acionar o setor jurídico para solucionar esse problema”, afirmou.

O gestor ainda considerou como “irrisória” a diferença salarial dos médicos do Arlinda Marques em relação aos profissionais do Edson Ramalho e Frei Damião. “O Arlinda paga R$ 748 por cada plantão. Nos outros dois hospitais, esse valor é de R$ 800. A diferença é pequena para um transtorno tão grande”, disse.

Já o diretor de Fiscalização do CRM-PB, Eurípedes Mendonça, afirmou que a interdição foi feita com fins sindicais. “Nossa preocupação é com a segurança do atendimento prestado ao paciente. Não pode um hospital daquele porte ficar sem médico dois dias na semana e ainda ter apenas um profissional por dia”, enfatizou.

 

Fonte: Jornal da Paraíba