Arábia Saudita pode executar 50 acusados de terrorismo

Arábia Saudita pode executar 50 acusados de terrorismo

Cinquenta e cinco pessoas, condenadas por crimes terroristas, podem ser executadas “imediatamente” na Arábia Saudita, informou o jornal local “Okaz”. Parte delas é acusada de participar de atentados no país que mataram mais de cem civis e 71 funcionários de segurança. Ainda não se sabe para quando as execuções estão marcadas.

Alguns dos condenados seriam afiliados à al-Qaeda. Outros seriam de Awamiya, uma cidade de maioria xiita, onde o governo reprimiu protestos pela igualdade de direitos. Como resposta às notícias de execução, moradores da província fecharam parte das estradas.

Militantes da al-Qaeda são acusados de atentados para derrubar o governo e planejar ataques usando armas, explosivos e mísseis. Um prisioneiro foi acusado de tentar comprar material nucelar no Iêmen para usar na Arábia Saudita. As acusações contra os moradores de Awamiya incluem conspiração e ataques a agentes de segurança.

Um dos jovens que pode ser executado a qualquer momento é o xiita Ali al-Nimr. Ele ficou conhecido quando foi detido, em 2012, durante uma manifestação contra as autoridades sauditas. Seu caso gerou comoção internacional. Na época, quando ele tinha 17 anos, pediu-se que sua execução fosse revista. Militantes informaram que não há mais recursos para reverter sua pena de morte.

O mesmo acontece com o dignatário religioso Nimr al-Nimr, tio de Ali, preso por sua atuação em protestos contra o governo em uma região no Leste do país, onde a população chiita se queixa de estar vivendo a marginalidade em um país controlado por uma dinastia sunita.

O rei Salman é quem tem a última palavra sobre as condenações.

A Arábia Saudita executou mais de 150 pessoas esse ano, o maior número em 20 anos, informou a Anistia Internacional. A maioria foi decapitada em público. Entre 2003 e 2006 e, depois, em 2009, o país sofreu ataques terroristas reivindicados pela al-Qaeda. No último ano, integrantes do Estado Islâmico mataram dezenas de pessoas no país, com bombardeios em mesquitas e tiroteios dirigidos aos membros da minoria xiita assim como a funcionários de segurança e expatriados do ocidente.

 
 
 

O Globo