Após vergonha, Palmeiras quer nomes de peso para 2015

Após vergonha, Palmeiras quer nomes de peso para 2015

O Palmeiras fechou o ano de seu centenário de forma melancólica, brigando para não cair até os instantes finais do Brasileirão e confirmando sua permanência apenas depois de um gol do rival Santos. O empate em casa diante da equipe reserva do Atlético-PR fechou uma temporada para se esquecer – fez 40 pontos e teve a defesa mais vazada de toda a competição. Ao final da partida na novíssima arena, atletas e torcedores não esconderam o sentimento de vergonha. No entanto, todos esperam por um futuro melhor em 2015 e a diretoria deve se mexer: o presidente Paulo Nobre, tão criticado por sua política de “austeridade financeira” não pretende cometer loucuras, mas deve ir ao mercado para qualificar o elenco na próxima temporada.

Uma das primeiras medidas da diretoria alviverde deve ser abrir mão de atletas que não agradaram. O Palmeiras fechou a temporada com 39 jogadores no elenco. As negociações para contratar reforços e renovar com quem tem contrato vencendo este mês estavam paradas porque tudo dependia do resultado deste domingo. Com a permanência na Série A, muitas mudanças devem ser realizadas. Dez jogadores ficarão sem contrato no fim do mês, e a diretoria vai tentar renovar com apenas três deles: Diogo, Henrique e Marcelo Oliveira. Bernardo, Bruno César, Eguren, Juninho, Victorino, Washington e Wendel devem ir embora. Wesley, o atleta mais criticado pela torcida, tem vínculo até fevereiro e também deve ter sua saída facilitada.

​Atletas que têm contratos mais longos, mas que pouco fizeram também podem sair. Nesse grupo entram Felipe Menezes, Mendieta, Patrick Vieira e Weldinho. A ideia é trazer pelo menos dois jogadores de nome para ajudar o único craque do time, Jorge Valdivia. Se o chileno deixar o clube (tem proposta do Colo-Colo de seu país), um meia chegará para suprir sua ausência. Existem também nove jogadores que voltam de empréstimo e têm situação indefinida: o lateral-direito Ayrton, os zagueiros Luiz Gustavo e Tiago Alves, o volante João Denoni, os meias Patrik e Tiago Real e os atacantes Maikon Leite, Caio e Vinícius.

Ainda não está definido quantos jogadores serão negociados e quantos serão contratados, mas a ideia é que cheguem atletas para jogar, e não apenas para compor o elenco. Paulo Nobre diz que haverá recursos para investir porque o clube não antecipou o recebimento de suas cotas de TV de 2015 e por isso terá a receita integral pela primeira vez desde que ele assumiu a presidência, em 2013. O moderníssimo Allianz Parque também tende a ser um forte aliado, apesar de o time ainda não ter vencido em duas partidas na nova casa.

Vergonha – Ao final do empate em 1 a 1 diante do Atlético-PR, o clima nos vestiários do Allianz Parque era de alívio e vergonha. Vários jogadores admitiram que choraram ao tirar o peso de não ter levado o Palmeiras a um terceiro rebaixamento. O técnico Dorival Júnior se disse frustrado com o seu ano. “Ficamos satisfeitos de termos conseguido a manutenção a equipe, mas longe de estarmos contentes com o trabalho. Não temos nada a comemorar, essa é a realidade”, afirmou o treinador, que assumiu o time a um ponto da zona de descenso, há 20 rodadas, e termina o campeonato na mesma posição.  

Apesar de ainda não ter definido sua permanência para 2015, Dorival já cobrou melhor planejamento da diretoria. “O Palmeiras tem que repensar o novo momento, voltar ao tempo de ter uma equipe competitiva brigando pelos campeonatos. O trabalho da diretoria, já a partir de amanhã, vai ser em cima da montagem de uma equipe. Está na hora de o Palmeiras ser protagonista em algumas finais.”

Principal jogador do Palmeiras, Valdivia também desabafou após a partida. Usando um palavrão, o meia - que jogou os 90 minutos e bem, apesar de claramente estar longe de sua condição física ideal – pediu desculpas à torcida pelo ano do Palmeiras. “Uma equipe f..., desculpa a palavra, com a história do Palmeiras, não pode depender de outros resultados e faltar com respeito com a torcida que hoje lotou o estádio. O sentimento de todos nós é de vergonha. Peço desculpas pela vergonha que foi esse ano”. 


 

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