Após enfrentar machismo nas redes sociais, Ingrid Oliveira conta com torcida brasileira

Após enfrentar machismo nas redes sociais, Ingrid Oliveira conta com torcida brasileira

Texto: Thiago Minete

Ingrid Oliveira foi uma das personagens brasileiras de destaque nos Jogos Pan-Americanos Toronto 2015. A saltadora foi do inferno ao céu em poucos dias: a primeira pose que postou em rede social, sentada de costas no Centro Aquático de Toronto, fez chover comentários machistas. No início das competições, errou um salto, caiu de costas e recebeu nota zero. No entanto, alguns dias depois – já com 40 mil seguidores a mais em sua conta no Instagram –, a garota de 19 anos calou a boca dos críticos: ao lado de Giovanna Pedroso, conquistou a prata na plataforma de 10m sincronizada.

“Acho que dá para dizer que o Pan foi um pouco emocionante”, brinca a atleta.

Nesta semana, Ingrid participará de uma grande competição no Brasil - a primeira vez depois de ter ganhado exposição de maneira inesperada. A Copa do Mundo de Saltos Ornamentais, que começa na sexta-feira (19), marcará o reencontro da atleta com a torcida nacional. E ela só espera apoio e carinho das arquibancadas.

“Muita gente me apoiou depois daquilo. O problema foram os comentários sem noção. Tem gente que perde a linha nas redes sociais, mas acredito que a torcida está do meu lado”

Ingrid Oliveira, atleta da seleção brasileira de saltos ornamentais

Apesar da repercussão, Ingrid garante que pouca coisa mudou depois de seu polêmico post. A famigerada foto (que tem mais de 20 mil curtidas, em uma conta em que os posts ficam em média abaixo dos 5 mil likes) não foi apagada, apenas “os comentários sem noção”. Mais fotos de treino e menos exibição foram as dicas dos técnicos. As “broncas leves” dos treinadores levaram a um cuidado maior nas redes sociais, mas partiu da própria Ingrid a “solução” de criar um outro perfil nas redes, mais protegido, apenas para as pessoas mais próximas.

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“Eu adoro meus seguidores, eles me inspiram. Não vou deixar de ter meu perfil público por conta de um ou outro que fala coisa nada a ver. Mas decidi não postar mais foto com a minha bunda aparecendo por um bom tempo”, disse.

Imagem Rio 2016

A postagem de Ingrid Oliveira em Toronto 2015 rendeu polêmicas e aprendizado (Foto: Reprodução/Instagram)

 

Rumo à classificação Olímpica

Apontada como promessa dos saltos ornamentais desde os 15 anos, Ingrid fará sua estreia em Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. Como país-sede, o Brasil já tem vaga garantida nos quatro eventos sincronizados (3m e 10m, masculino e feminino) – ela e Giovanna devem representar o Brasil na plataforma de 10m sincronizada.

“Primeiro, a Giovanna se machucou. Quando ela ficou melhor, eu peguei dengue, há duas semanas. Agora já estou recuperada, mas perdemos um bom tempo de treinos juntas”, contou.

No evento-teste, Ingrid conta com o apoio da torcida para alcançar seu objetivo. Que é se classificar para a prova de plataforma de 10m também no individual:

“A torcida ajuda muito, a gente fica com mais vontade ainda de fazer tudo certo. O apoio e o barulho fazem diferença mesmo, inclusive para os juízes”

Para alcançar a meta, que ela mesma classifica como “bastante difícil”, só mesmo com muito treino. Ingrid foi uma das primeiras a entrar na piscina do Centro Aquático Maria Lenk já no início dos treinos livres para a competição, na última sexta-feira (11). A ambição agora é realizar o salto quádruplo e meio grupado de frente – a pretensão inicial era a de se tornar a primeira atleta do mundo a realizar o movimento, mas a japonesa Manami Itahashi chegou na frente de Ingrid. “Asiáticos, né? Eles são terríveis”, brinca.

Um dos expoentes da nova geração brasileira dos saltos ornamentais, Ingrid sabe da importância de treinar na seleção ao lado dos experientes Juliana Veloso, César Castro e Hugo Parisi e tirar deles valiosas lições, como ressaltou seu colega Isaac Souza na sexta-feira (12). Além deles, ela terá no Centro Aquático Maria Lenk a companhia de sua grande inspiração no esporte: a canadense Meaghan Benfeito, bronze na plataforma de 10m sincronizada em Londres 2012 e ouro em Toronto 2015.

“Converso com ela às vezes. Ela é supersimpática e fala um pouco de português. Mas para tirar foto tenho vergonha”, confessa a atleta, que também tem seu lado fã.

Imagem Rio 2016

Ingrid Oliveira é vice-campeã Pan-Americana na plataforma de 10m sincronizada (Foto: Al Bello/Getty Images)

 

Opção pelos saltos na cola da irmã

Hoje estrela nacional dos saltos ornamentais, Ingrid inicialmente tinha o sonho de ser ginasta. Nascida em Niterói (RJ), fez ginástica artística até os 12 anos, em 2008, quando resolveu mudar, depois de três anos no esporte. Cogitou migrar para o nado sincronizado, mas a relação com a irmã mais velha, com quem já fazia ginástica, falou mais alto.

“Ela já estava treinando saltos e eu precisava continuar implicando com ela, né?”

Entre treinos e competições, a niteroiense gosta mesmo é de ficar em casa no tempo livre: “Só como e durmo, sou quase um panda”. Ao cinema ela até vai de vez em quando, mas, para Ingrid, a boa mesmo é jogar videogame – de preferência, jogos de ação, como GTA ou Resident Evil. No entanto, daqui para frente, as brechas de tempo livre devem ser bem curtas.

“Meu sonho é conseguir uma medalha Olímpica. A meta é tentar mais para frente. Aqui no Rio acho bastante difícil. Quem sabe com a ajuda da torcida?”

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