Após denúncias, Eduardo Cunha desiste de fazer viagem oficial à Itália

Após denúncias, Eduardo Cunha desiste de fazer viagem oficial à Itália

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse nesta quinta-feira (1º) que desistiu de fazer uma viagem oficial para a Itália que estava marcada para esta tarde. Inicialmente, ele participaria do do 1º Fórum Parlamentar Itália, América Latina e Caribe, em Roma.

Ele justificou a decisão alegando que resolveu ir ao casamento do senador Romero Jucá (PMDB-RR) no sábado (3), de quem é amigo. Cunha também argumentou que a viagem seria muito corrida porque já teria que estar de volta ao Brasil no início da semana e que o evento não compensaria..

 

"Decidi que eu não vou. Vou ficar para o casamento do Jucá, que será sábado em Brasília", afirmou Cunha. "Eu ia apenas fazer um discurso na segunda-feira e voltar correndo para chegar no Rio, para chegar aqui ao meio-dia. Eu achei que era muita corrida para um evento que não tem o tamanho que justificasse", disse.

Nesta quarta-feira (30), o Ministério Público da Suíça enviou ao Brasil os autos de uma investigação sobre Cunha por suspeita de lavagem de dinheiro e corrupção passiva, segundo informou a Procuradoria Geral da República.

Questionado por jornalistas se o cancelamento da ida à Itália tem a ver com o fato, ele negou. "Não tem a ver com nada", disse.

As investigações começaram em abril na Suíça e resultaram em bloqueio de valores de Cunha, de acordo com a PGR.

Cunha não quis responder perguntas sobre se tem contas no exterior e pediu que os jornalistas procurassem seu advogado. "Perguntem a ele, porque eu não vou responder nada que não seja por meio do meu advogado", disse.

Sobre a eventual perda de apoio político diante das denúncias, Cunha foi irônico: "Eu não estou atrás de apoio, por que eu vou perder?"

 

Sessão da Câmara
Cunha presidiu sessão da Câmara no início da tarde. O líder do PSOL na Casa, Chico Alencar (RJ), subiu à tribuna do plenário e perguntou sobre uma eventual conta de Cunha no exterior.

"A pergunta que não quer calar: o presidente Eduardo Cunha tem ou não contas secretas na Suíça? [...] Essa é uma pergunta de interesse público, não é invasão de privacidade", disse Alencar.

Ele ressaltou que o peemedebista tinha obrigação de se explicar pela "transparência do parlamento" e a "dignidade da política". E afirmou ainda que o "silencio cúmplice" dos demais deputados é incompatível com a responsabilidade dos mandatos públicos.

Cunha aguardou que ele terminasse de falar e, ignorando a pergunta, deu a palavra para que o parlamentar seguinte discursasse sobre o projeto em votação no momento.

 

G1