Após avanço de 'pauta-bomba', Cunha fala em base 'deteriorada'

Após avanço de 'pauta-bomba', Cunha fala em base 'deteriorada'
Um dia após o primeiro item da “pauta-bomba” ser aprovado na Câmara, o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse que a derrota do governo se deve ao fato de a base aliada estar, segundo ele, “absolutamente deteriorada”. O peemedebista disse que falta “política” ao Palácio Planalto e defendeu uma “revisão” de objetivos.
 
Na madrugada desta quinta, a Câmara aprovou em primeiro turno o texto-base da proposta de emenda à Constituição que vincula os salários das carreiras da Advocacia-Geral da União e de delegados civis e federais a 90,25% do salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o que hoje daria R$ 30,4 mil (veja vídeo abaixo). Também estão incluídos procuradores de estado e de municípios com mais de 500 mil habitantes.

 

“Não adianta fazer reforma ministerial se você não reformar o seu objetivo. Tem que ter uma mudança de comportamento. Cabe ao governo avaliar os seus erros. Eu só posso constatar o produto final e o governo está com a base absolutamente deteriorada no Congresso Nacional, na Câmara dos Deputados”, afirmou Cunha.

De acordo com o Ministério do Planejamento, o impacto da PEC será de quase R$ 2,5 bilhões nas contas públicas. Crítico contundente do governo Dilma, Cunha afirmou que, dessa vez, “tentou ajudar” o Planalto a evitar a aprovação da matéria. Quando a sessão se estendia pela madrugada, o peemedebista sugeriu, a 1h30 da manhã, adiar a votação para a próxima semana. No entanto, os deputados presentes em plenário recusaram o adiamento.

 

 
“Na prática, o que fiz foi tentar ajudar, mas a maioria quis esse resultado. A Casa sabe se posicionar e quando ela quer se posicionar não adianta o presidente querer. Acho injustiça querer colocar o peso nas minhas costas. Se fosse da minha vontade não tinha votado hoje”, afirmou.

 

Nesta quarta (5), o líder do governo, José Guimarães (CE), reconheceu que é preciso "reconstruir a base", mas defendeu uma reestruturação baseada na "fidelidade". Para ele, é preciso consolidar uma base mais enxuta.

"Meu argumento é de que a base precisa ser refeita. Levar em contra critério de fidelidade, critérios de concordância com projetos do governo, fidelidade dos ministros. Evidentemente caberá ao governo fazer isso. Temos que botar o pé na estrada para retomar isso. O ajuste agora é político. A base tem que ter nitidez política, fidelidade, discutir as propostas", declarou.
 
Saída da base aliada
Além da derrota em plenário, o governo também assistiu a um movimento de debandada de partidos da base aliada. Os líderes do PDT e do PTB declararam que atuarão com “independência” nas votações da Câmara. Um dos argumentos foi justamente a cobrança do governo por "fidelidade".

 

O deputado André Figueiredo (CE), líder do PDT, disse que a decisão foi tomada por unanimidade pela bancada do partido, e acrescentou que não participará mais das reuniões da base aliada. A bancada pedetista tem 19 dos 513 deputados da Câmara. A justificativa dos deputados pedetistas é que a bancada discorda do governo em diversos temas e se sente desrespeitada ao ser acusada de infiel por tomar posições contrárias.

“Fomos frontalmente contra as medidas provisórias 665 e 664, que reduziam direitos ao seguro-desemprego e à pensão por morte. Temos tomado uma postura claramente a favor dos servidores públicos”, declarou o líder do PDT.

O líder do PTB, deputado Jovair Arantes (PTB-GO), afirmou que a bancada decidiu oficializar a independência em relação ao governo por sentir que não é “tratado como base aliada”. O partido tem 25 deputados.

“O tratamento com o governo é de dificuldade, de ministro que não recebe deputado. E isso vai aborrecendo. Entendemos que o governo tem que ouvir e chamar para conversar. O governo quer administrar sozinho, que administre”, disse.

 

 

 

 

G1