Após 14 semanas de alta, estimativa de inflação do mercado para 2015 cai

Após 14 semanas de alta, estimativa de inflação do mercado para 2015 cai

Depois de subir por quatorze semanas seguidas, a estimativa do mercado financeiro para a inflação oficial deste ano registrou recuo na semana passada, informou o Banco Central nesta segunda-feira (13), por meio do relatório de mercado, também conhecido como Focus. O documento é fruto de pesquisa com mais de 100 instituições financeiras.

Segundo o levantamento da autoridade monetária, a previsão dos economistas dos bancos para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) deste ano passou de 8,20% para 8,13% na última semana. Para 2016, a previsão ficou estável em 5,60% na semana passada.

Mesmo com a queda, em 8,13% - se confirmada - a previsão do mercado para a inflação de 2015 atingirá o maior patamar desde 2003, quando ficou em 9,3%.

Segundo economistas, a alta do dólar e dos preços administrados (como telefonia, água, energia, combustíveis e tarifas de ônibus, entre outros) pressionam os preços em 2015. Além disso, a inflação de serviços, impulsionada pelos ganhos reais de salários, segue elevada.

Em março, a inflação oficial ficou em 1,32%, depois de avançar 1,22% em fevereiro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa é a maior desde fevereiro de 2003, quando atingiu 1,57%, e a mais elevada desde 1995, considerando apenas o mês de março.

Previsões do BC
A expectativa do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, divulgada no fim de março, é de que, a partir de abril, a inflação mensal atinja um "patamar bem inferior" ao registrado nos três primeiros meses desse ano - quando ocorreu a concentração de realinhamento dos preços administrados (como reajustes de energia elétrica e gasolina, por exemplo) na economia.

No fim do mês passado, o BC admitiu que o IPCA deste ano deve ficar próximo de 8% e estourar o teto do sistema de metas brasileiro. Se isso acontecer, será a primeira vez desde 2003. Quando a inflação fica mais alta do que o teto de 6,5% do sistema de metas brasileiro, o presidente do Banco Central precisa escrever uma carta aberta ao ministro da Fazenda explicando as razões que motivaram o "estouro" da meta formal.

Produto Interno Bruto
Para o crescimento do PIB neste ano, os economistas do mercado financeiro mantiveram a previsão, na semana passada, de que haverá uma retração de 1,01% neste ano. Se confirmado, será o pior resultado em 25 anos, ou seja, desde 1990 – quando foi registrada uma queda de 4,35%.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o comportamento da economia brasileira. Para 2016, o mercado baixou sua previsão de alta do PIB de 1,10% para 1%.

No fim de março, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a economia brasileira cresceu 0,1% em 2014. Em valores correntes (em reais), a soma das riquezas produzidas no ano passado chegou a R$ 5,52 trilhões, e o PIB per capita (por pessoa) caiu a R$ 27.229. Esse é o pior resultado desde 2009, ano da crise internacional, quando a economia recuou 0,2%.

Taxa de juros
Após o Banco Central ter subido os juros para 12,75% ao ano no início de março, o maior patamar em seis anos, o mercado manteve sua expectativa para a taxa Selic, na semana passada, em 13,25% ao ano para o fim de 2015. Para o fechamento de 2016, a estimativa dos analistas permaneceu em 11,50% ao ano.

A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC para tentar conter pressões inflacionárias. Pelo sistema de metas de inflação brasileiro, o BC tem de calibrar os juros para atingir objetivos pré-determinados. As taxas mais altas tendem a reduzir o consumo e o crédito, o que pode contribuir para o controle dos preços.

Câmbio, balança e investimentos
Nesta edição do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2015 permaneceu em R$ 3,25 por dólar. Para o término de 2016, a previsão dos analistas para a taxa de câmbio ficou estável em R$ 3,30 por dólar.

A projeção para o resultado da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações) em 2015 subiu de US$ 4 bilhões para US$ 4,3 bilhões. Para 2016, a previsão de superávit comercial permaneceu inalterada em US$ 10 bilhões.

Para este ano, a projeção de entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil ficou estável em US$ 56 bilhões. Para 2016, a estimativa dos analistas para o aporte subiu de US$ 58 bilhões para US$ 59 bilhões.

 
 
 
 
 

G1