Analistas preveem confrontos nas ruas entre governistas e oposicionistas e escalada da crise

Analistas preveem confrontos nas ruas entre governistas e oposicionistas e escalada da crise

A Operação Alethéia, 24ª fase da Lava Jato, que conduziu coercivamente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para depor em São Paulo, deve aprofundar a crise política e acirrar os confrontos entre governistas e oposicionistas, inclusive com episódios de violência nas ruas.

Essa é a hipótese –e preocupação– a que chegaram, por caminhos diferentes, intelectuais ouvidos pela Folha.

"A tendência à violência de rua é muito forte porque existem elementos que podem justificar o discurso de Lula e do PT de que eles são perseguidos", avalia o cientista político Aldo Fornazieri.

"Se, pela via institucional não se vê saída, os conflitos passam a ser resolvidos na rua, o que é muito grave para um país. Mais grave ainda quando o Judiciário é arrastado para dentro do processo de radicalização política."

Para ele, isso se deve a questionamentos feitos à Lava-Jato, como vazamentos supostamente seletivos. "As autoridades têm de ter muita serenidade para evitar a radicalização do processo político no país".

O filósofo Roberto Romano diz que "se não se assumir uma prudência muito grande, a coisa pode degringolar, o que plantará uma situação ainda mais difícil para a falta de governabilidade que o país já enfrenta atualmente."

Segundo ele, nenhum dos poderes funciona normalmente no momento. "A presidente não consegue governar e está ameaçada de impeachment. O presidente da Câmara virou réu da Lava-Jato. O do Senado pode virar a qualquer momento. E o Ministério Público tem trabalhado a toque de caixa, em ritmo de urgência."

Para Renato Janine Ribeiro, professor de ética e filosofia política e ex-ministro da Educação do governo Dilma, a operação contra Lula foi "abusiva". "Não se trata um ex-presidente da República desse jeito. Ele deveria ter sido convidado a depor primeiro."

 

 

 

 

Folha de São Paulo