Alianças para governador dividem apoio a presidenciáveis

Alianças para governador dividem apoio a presidenciáveis

Em São Paulo, o palanque do governador Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição, será dividido entre dois presidenciáveis: Aécio Neves, do próprio PSDB, e Eduardo Campos (PSB), rival de Aécio na disputa nacional.

Já a presidente Dilma Rousseff ficará dividida entre dois concorrentes no Estado: Alexandre Padilha (PT) e Paulo Skaf, do PMDB, sigla de seu vice, Michel Temer. No Rio, o quadro é ainda mais rocambolesco. A reeleição de Dilma será defendida por três candidatos a governador que concorrem entre si: Lindbergh Farias (PT), Luiz Fernando Pezão (PMDB) e Anthony Garotinho (PR). Sendo que Pezão também oferece palanque a Aécio, arranjo que lhe renderá mais tempo de TV. E Lindbergh também oferece palanque a Campos.

Situações assim, que misturam concorrentes a governador com o mesmo presidenciável ou presidenciáveis no palanque do mesmo candidato a governador, ocorrem por todo o país.

Contrariado com o espaço de Aécio no palanque de Pezão, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), apoiador de Dilma, apelidou esse tipo de proliferação de alianças de "bacanal eleitoral". Uma expressão que tem bom potencial para se perpetuar no vocabulário político nacional. O quadro ao lado, montado com informações de apenas 13 dos 32 partidos e resultados dos acertos já confirmados nos Estados, dá uma dimensão desse novelo.

Cada aliança pode ter sua lógica específica dentro do contexto estadual ou do histórico dos personagens envolvidos. O retrato geral que emerge, porém, é mesmo de uma grande suruba entre as siglas, onde parece inexistir qualquer tipo de coerência ideológica.

Um dos casos mais curiosos ocorre no Maranhão, único Estado onde o PC do B lançou candidato próprio a governador. No Estado, o comunista Flávio Dino defenderá, simultaneamente, os três principais presidenciáveis: Dilma, Aécio e Campos.

PSDB e PSB estão na aliança de Dino. O PT, porém, aliado frequente do PC do B em diversos locais, está formalmente coligado com Lobão Filho (PMDB), o candidato do clã liderado pelo senador e ex-presidente José Sarney.

O PMDB, principal aliado de Dilma no plano nacional, atuará como "traidor" da petista em pelo menos seis Estados. Os peemedebistas Eunício Oliveira (CE) e Paulo Hartung (ES) apoiam só Aécio. Ivo Sartori (RS) e Nelsinho Trad (MS) vão de Campos, exclusivamente. José Filho (PI) dá palanque para Aécio e Campos ao mesmo tempo, mas nada para Dilma.

Na Bahia, o PMDB fechou com Paulo Souto (DEM), rival do PT, que tem seu próprio candidato a governador.

Caso curioso é o de Íris Resende, candidato do PMDB a governador de Goiás que fará palanque duplo para Dilma e Aécio. Seu nome ao Senado na aliança é Ronaldo Caiado (DEM), inimigo histórico do PT. E a chapa também é composta pelo PC do B.

Outra mistura que chama a atenção é a de Helder Barbalho (PMDB), que quer ser governador do Pará. Por ele, PT, DEM e PC do B aparecem reunidos na mesma chapa.

Folha