Advogado da Petrobras diz que 'levou bronca' de Duque por ser contra aditivos

Advogado da Petrobras diz que 'levou bronca' de Duque por ser contra aditivos

O ex-gerente jurídico da Petrobras Fernando de Castro Sá disse em depoimento à CPI da Petrobras que ele e a então gerente-executiva de Serviços da Petrobras, Venina Velosa da Fonseca, levaram uma “bronca” do então diretor de Serviços, Renato Duque, que os acusou de “criar problemas” ao se posicionarem contra a assinatura de aditivos em contratos da estatal.

“Fomos chamados a uma reunião no gabinete de Duque pelo então diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, e chegando lá o diretor Duque disse que nossos pareceres não seriam levados em consideração e que os aditivos seriam feito com base na decisão da área de engenharia”, disse Sá em depoimento na sub-relatoria de Superfaturamento e Gestão Temerária na Construção de Refinarias da CPI.

Venina tinha se recusado a celebrar aditivos em contratos que já tinham sido encerrados, o que irritou Duque.

Segundo Sá, a Petrobras atendia pressões da Associação Brasileira de Montagem Industrial (Abemi) na formalização de contratos e aditivos com as empresas contratadas.

Dossiê

O ex-gerente jurídico disse que as pressões e o não atendimento dos pareceres jurídicos começaram em 2007, com as obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Ele informou que chegou a elaborar um dossiê, entregue ao Ministério Público, que contém comprovantes da influência da entidade nos contratos. “Foi feita uma ata de reunião em que foi consignado que uma minuta de contrato com a Petrobras seria submetida ao setor jurídico da Abemi”, contou.

Ele se comprometeu a enviar cópia do dossiê à CPI.

 
 
 
 

Jornal do Brasil