Acusados de lavar dinheiro desviado da Petrobras são interrogados

Acusados de lavar dinheiro desviado da Petrobras são interrogados

Cinco acusados de crimes de lavagem de dinheiro e de pertinência a grupo criminoso participam de audiência de interrogatório à Justiça Federal em Curitiba nesta segunda-feira (20). Eles são réus em processos decorrentes da Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Esta é a segunda audiência de interrogatório deste processo, que tem por objeto os crimes de lavagem de produto de desvios de recursos públicos da Petrobras.

Na audiência anterior, realizada no dia 8 de outubro, depuseram os outros cinco réus no processo – dentre eles, o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Nesta segunda, devem ser ouvidos Antônio Almeida Silva, Márcio Andrade Bonilho, Murilo Tena Barros, Leonardo Meirelles e Waldomiro Oliveira – que não puderam ser ouvidos na audiência anterior.

Operação Lava Jato


A operação Lava Jato foi deflagrada no dia 17 de março de 2014 em vários estados brasileiros e no Distrito Federal. A operação investiga um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que pode ter movimentado cerca de R$ 10 bilhões, segundo a PF.

De acordo com a PF, a organização criminosa era liderada pelo doleiro Alberto Youssef, que está detido em Curitiba. Paulo Roberto Costa, após ser preso, chegou a ser libertado no dia 19 de maio por ordem do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), mas foi preso novamente no dia 11 de junho a pedido Ministério Público Federal (MPF).

Depois de homologar o acordo de delação premiada no dia 30 de setembro, Zavascki transferiu para a Justiça Federal do Paraná a decisão sobre a prisão domiciliar de Costa. O juiz Sérgio Moro concedeu o benefício.

No dia 1º de outubro, Costa foi transferido para o Rio de Janeiro, onde cumpre prisão domiciliar, em um condomínio no Bairro da Tijuca. Ele está sendo monitorado por uma tornozeleira eletrônica.

Entenda a delação premiada
O processo de delação premiada é a confissão de informações em troca da possibilidade de redução de pena ou outros benefícios. Costa começou o acordo com a Justiça no dia 29 de setembro. De lá pra cá, foram vários depoimentos na sede da PF do Paraná. Alguns, inclusive, aos fins de semana. Durante esse período, Costa denunciou políticos que teriam se beneficiado de um esquema de pagamento de propina em contratos da Petrobras com outras empresas.

Segundo a homologação feita pelo ministro Zavascki, há a confirmação oficial de um possível envolvimento de várias autoridades com foro privilegiado, inclusive parlamentares federais, citados na delação de Paulo Roberto. No entanto, o conteúdo detalhado dos depoimentos é sigiloso para resguardar as investigações.

Em nota divulgada no dia 30 de setembro, o MPF informou que a colaboração premiada é um método de investigação moderno e valioso para elucidar crimes complexos. “Por vezes, somente quem tem conhecimento dos detalhes da atividade criminal são os próprios agentes. As informações prestadas pelo colaborador ficam sempre sujeitas à verificação e à corroboração”, diz um dos trechos da nota.

O ex-diretor Paulo Roberto ocupou a direção de Refino e Abastecimento da Petrobras entre 2004 e 2012, nos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.


 

G1