1% das grávidas com zika têm os bebês afetados, diz pesquisa

1% das grávidas com zika têm os bebês afetados, diz pesquisa

Nos casos de infecção pelo vírus da zika no primeiro trimestre da gravidez, o risco da ocorrência de microcefalia é de aproximadamente 1%, segundo um novo estudo publicado nesta terça-feira (15) na revista médica “The Lancet”. A conclusão resultou da análise de dados do surto de zika que atingiu a Polinésia Francesa entre 2013 e 2014.

“Estimamos que o risco de microcefalia foi de 1 a cada 100 mulheres infectadas com o vírus da zika durante o primeiro trimestre da gravidez. Os achados são da epidemia de 2013 e 2014 na Polinésia Francesa e ainda será preciso observar se nossas descobertas se aplicam da mesma forma a outros países”, disse Simon Cauchemez, pesquisador do Instituto Pasteur de Paris e um dos autores do estudo.

Para chegar ao resultado, sua equipe usou modelos matemáticos para estimar o risco estatístico de uma grávida que tenha sido infectada pelo vírus ter um bebê com microcefalia. Para isso, os pesquisadores tomaram como base o número de nascimentos durante o surto, o número de bebês diagnosticados com microcefalia, o número de testes positivos para o vírus da zika e o número de casos suspeitos da infecção.

O surto de microcefalia da Polinésia Francesa –território francês que fica que fica no Pacífico Sul– começou em outubro de 2013 e terminou em abril de 2014. Ao todo, mais de 31 mil pessoas tiveram casos suspeitos de zika e houve oito diagnósticos de microcefalia, dos quais cinco bebês sofreram abortos e três nasceram.

“As informações da Polinésia Francesa são particularmente importantes, já que o surto já acabou. Isso nos dá um conjunto de dados pequeno, mas muito mais completo do que aquele disponível em uma epidemia em curso. Muitas outras pesquisas são necessárias para entender como o vírus da zika pode causar microcefalia. Nossos achados apoiam as recomendações da OMS para mulheres grávidas se protegerem das picadas dos mosquitos”, disse Arnaud Fontanet, professor do Instituto Pasteur de Paris que também participou do estudo.

Risco menor em comparação a outras infecções
De acordo com os resultados obtidos, o risco de microcefalia associada ao vírus da zika é menor do que o risco de malformações associadas a outras infecções. A infecção da grávida por citomegalovírus, por exemplo, resulta em 13% de risco de malformações no bebê. A síndrome da rubéola congênita afeta de 38% a 100% dos bebês cujas mães foram infectadas pelo vírus durante o primeiro trimestre da gravidez.

A diferença é que o vírus da zika tem um potencial muito maior de se propagar durante um surto do que outros vírus capazes de levar a malformações de bebês, por isso seu impacto fio muito maior do que outras infecções.

“Nossa análise apoia fortemente a hipótese de que a infecção pelo vírus da zika no primeiro trimestre da gravidez está associada com um risco aumentado de microcefalia”, diz Cauchemez.

Em um comentário sobre o estudo divulgado pela “The Lancet”, a pesquisadora brasileira Laura Rodrigues, da London School of Hygiene and Tropical Medicine, no Reino Unido, afirma que mais pesquisas são necessárias para se chegar a uma conclusão sobre a relação entre microcefalia e o vírus da zika.

“Mais dados estarão disponíveis em breve de Pernambuco, Colômbia, Rio de Janeiro e talvez outros locais. A produção rápida de conhecimento durante essa epidemia é uma oportunidade de observar a ciência em desenvolvimento: da formulação de novas hipóteses e produção de novos resultados que trarão confirmações e contradições até o refinamento de métodos e a construção gradual de um consenso”, afirma Laura, que não participou do estudo.

 

 

 

 

G1