À CPI, diretor da Petrobras diz que foi 'surpreendido' com corrupção

À CPI, diretor da Petrobras diz que foi 'surpreendido' com corrupção

Em depoimento à CPI da Petrobras na Câmara, o diretor de Gás e Energia da estatal, Hugo Repsold Júnior, disse nesta terça-feira (7) que nunca tinha ouvido falar em corrupção dentro da Petrobras e que foi “surpreendido” com as denúncias de irregularidades na empresa. O executivo afirmou aos parlamentares que se sente “indignado” com a situação.

“Fui surpreendido. Minha surpresa foi ver projetos dessa magnitude e descobrir depois que algumas pessoas cometeram esses ilícitos, isso é surpreendente”, disse Repsold, que é ouvido na condição de testemunha e não sofre nenhum tipo de acusação.

Na avaliação do executivo, o esquema estava restrito a algumas pessoas. “É um processo policial que [...] foi identificado pelos órgãos de polícia. Ele diz respeito a pessoas e essas pessoas devem responder por esses atos ilícitos”, enfatizou.

 

Repsold era gerente-executivo e assumiu o comando da diretoria de Gás e Energia há apenas dois meses, após a renúncia coletiva da então presidente da estatal Graça Foster e cinco diretores diante do desgaste da imagem da empresa por causa das investigações da Operação Lava e a denúncias de um esquema de corrupção na Petrobras.

Os deputados Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) e André Moura (PSC-SE) chegaram a se irritar com as suas respostas de que não sabia do que acontecia na Petrobras. “Eu me sinto indignado a respeito disso tudo e não consigo responder a essas perguntas porque fui, de fato, surpreendido”, justificou-se.

O deputado Valmir Prascidelli (PT-SP) cobrou respeito dos seus pares, lembrando que Repsold não é acusado de nada, mas observou que, se ele estiver mentindo, terá que se explicar mais para a frente.

À CPI, Repsold disse que não ocupa a função por indicação política. Há 30 anos na Petrobras, Repsold era gerente executivo de Gás e Energia Corporativo antes de assumir a diretoria.

Ele negou ter conhecimento sobre qualquer superfaturamento na construção do gasoduto Gasene, entre Rio de Janeiro e Bahia. O custo total do projeto foi de R$ 6,340 bilhões. Segundo Repsold, o custo ficou 20% acima do esperado, mas, ainda assim, dentro de “métricas internacionais”.

“Em nenhum momento, eu ouvir falar em ilícito. Não ouvir falar em irregularidade no projeto Gasene”, afirmou. “Ao contrário, é um projeto que tem valor estratégico e que traz grande benefício à Petrobras e ao brasil por levar esse insumo a regiões distantes.”

Sobre a expectativa em torno da divulgação do balanço final do ano passado da Petrobras, adiada por conta das denúncias de corrupção, Repsold disse que a estatal trabalha para divulgar “o mais breve possível”.

“O fato é que existe um trabalho sério, concentrado, dedicado para divulgar um balanço claro, auditado o mais breve possível. [...] Um trabalho importante para disponibilizar um balanço claro, transparente em relação às contas da Petrobras”, afirmou.

O depoimento de Repsold atrasou quase uma hora pois, logo no início da sessão, petistas protestaram contra a convocação do tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, na próxima quinta-feira (9).

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O deputado Leo de Brito (PT-AC) acusou o tucano Antonio Imbassahy (BA), vice-presidente da comissão, que marcou o depoimento quando presidia interinamente a CPI, de partidarizar os trabalhos do colegiado.

O relator Luiz Sérgio (PT-RJ) também reclamou e disse que a ida de Vaccari estava inicialmente prevista para o dia 23, mas foi antecipada de propósito para a semana das manifestações marcadas para o dia 12 de abril.

"Lamento ver a CPI servir de objetivo para se potencializar ou não uma manifestação. A CPI não pode ser instrumento disso", disse o deputado petista.

O presidente da CPI, Hugo Motta (PMDB-PB), reiterou, porém, que iria manter o depoimento de Vaccari para quinta para não desrespeitar o trabalho do vice-presidente.

 

Crítica à convocação
A necessidade da presença de Repsold na CPI foi questionada por diversos parlamentares. Os deputados Onyx Lorenzoni (DEM-RS) e Izalci (PSDB-DF) ponderaram que era preciso ouvir pessoas que, “de fato, contribuam” para os trabalhos.

 

O deputado Jorge Solla (PT-BA) também criticou a ida de Repsold à comissão e causou uma saia justa, uma vez que o requerimento para que fosse ouvido foi apresentado por outro petista, o relator da CPI, Luiz Sérgio (RJ).

“Não consigo entender por que o senhor foi convidado”, afirmou Solla. De imediato, o presidente Hugo Motta pediu que fosse entregue a ele uma cópia do requerimento, justificando que o depoimento dele havia sido aprovado pela comissão.

O relator tentou, então, explicar o motivo do requerimento, dizendo que achava que ele poderia prestar algum esclarecimento.

 
 
 
 
 

G1