'Nova aventura' não faria bem ao país, diz Aécio sobre cenário eleitoral

'Nova aventura' não faria bem ao país, diz Aécio sobre cenário eleitoral

O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, disse em entrevista à rádio CBN, nesta quarta-feira (3), que a candidatura de Marina Silva, sua adversária na disputa eleitoral, possui "contradições" e que o país "não aguenta uma incerteza em seu horizonte, uma nova aventura".

Aécio deu a declaração ao ser questionado sobre o desempenho de Marina nas pesquisas eleitorais. A candidata do PSB aparece no último levantamento do instituto Datafolha com 34% das intenções de voto, o mesmo número da presidente Dilma Rousseff. Aécio tem 15% (*).

"A candidatura de Marina tem suas virtudes, eu as respeito, mas traz também um conjunto de contradições muito grandes, ela fez toda a sua trajetória política no PT [...] O Brasil não aguenta uma incerteza no seu horizonte, uma nova aventura", afirmou.

Aécio reconheceu que, com a morte de Eduardo Campos e a substituição do então candidato por Marina Silva, surgiu um novo cenário eleitoral. Ele disse que Marina tem "potencialidade", mas ressaltou que a candidata precisa explicar "com clareza" o que significaria um eventual governo do PSB.

"A grande verdade é que nós estamos vivendo uma nova eleição. Há 30 dias atrás, era um outro quadro, antes do falecimento do meu amigo, o ex-governador Eduardo Campos. E agora existe um outro quadro. A candidata Marina tem as suas potencialidades, disputou já uma eleição presidencial, certamente tem suas virtudes, mas chegou o momento de ela dizer com clareza o que significaria o seu governo, em que direção o Brasil vai", afirmou o candidato.

Aécio disse também que, na opinião dele, o governo da presidente Dilma "fracassou" e, por isso, ela vai perder as eleições. Para ele, restam duas alternativas: a candidatura do PSDB e a do PSB. O candidato defendeu seu projeto e disse que seu partido tem melhores quadros.

"A minha avaliação pessoal é que a presidente da República, a presidente Dilma, que teve a oportunidade de governar o Brasil, fracassou e vai perder as eleições. Esse é meu sentimento muito íntimo. Existem duas alternativas aí: uma é a candidatura da Marina, a outra é a nossa. A nossa tem um projeto apresentado ao Brasil ao longo desse último ano, amplamente discutido, com começo, meio e fim. E aquilo que é essencial, com quadros qualificados para implementá-lo", afirmou.

 

O candidato ainda disse que, em seu eventual governo, não vai precisar buscar auxiliares "no terreno do vizinho". Marina Silva tem dito, em seus discursos de campanha, que vai buscar governar, caso eleita, com os melhores quadros de todos os partidos, mesmo os rivais.

"Não estou olhando sobre a cerca no terreno do vizinho para buscar quadros para ajudar lá na frente. Temos uma seleção brasileira pronta para entrar em campo, não podemos nos contentar com um time de segunda divisão", disse.

Economia
Aécio Neves foi questionado sobre a postura de seu eventual governo na economia e se ele adotaria medidas impopulares para resolver questões como a alta na inflação e o baixo crescimento. O candidato respondeu que pretende conduzir uma poítica econômica "responsável".

"O meu governo terá uma política econômica responsável. Não há espaço para maldades, já foram todas feitas por este governo. O meu governo terá uma política econômica responsável. Até porque não há espaço para maldades, elas já foram todas feitas por esse governo. Nós estamos em processo de recessão", afirmou.

"Nós temos um time altamente qualificado, nós precisamos resgatar a confiança no Brasil. Essa confiança foi-se embora pela trapalhada que o atual governo fez na nossa política econômica, inclusive na macroeconômica, em relação à flexibilização dos pilares que nos trouxeram até aqui", continuou o candidato.

Aécio disse ainda que o país não precisa de "salvadores da pátria". No entanto, ele afirmou que uma eventual vitória do PSDB vai criar um "ambiente de tranquilidade" para reorganiazar a economia.

"O Brasil não precisa de salvadores da pátria, mas a sinalização que a nossa eleição dá, por si só, nos permitirá viver um efeito oposto ao de 2002, com a eleição do presidente Lula e as incertezas que ela gerava naquele instante. A nossa eleição vai criar um ambiente de absoluta tranquilidade para que nós possamos reorganizar a economia brasileira", disse.

Mais Médicos
Aécio foi questionado também sobre a opinião que tem do programa Mais Médicos, do governo federal. Ele disse que é a favor da iniciativa, mas afirmou que vai propor, caso eleito, uma revisão no modelo de contratação dos médicos cubanos. Atualmente, os médicos cubanos vêm para o Brasil por meio de convênio que o país faz com a Organização Panamericana de Saúde (Opas), que por sua vez repassa os valores pagos pelo Brasil para Cuba. O governo cubano faz o pagamento para os profissionais de seu país, e fica com uma parcela do dinheiro.

"Eu sou a favor do Mais Médicos e, inclusive, a favor de mais saúde [...] No caso especifico desse programa, temos que fazer uma nova negociação com a Opas para que os cubanos não sejam discriminados em relação aos outros", afirmou.

Campanha em Santos
Na tarde desta quarta, o candidato do PSDB cumpriu agenda eleitoral em Santos, no litoral de São Paulo. O tucano fez uma caminhada por ruas da região central da cidade na companhia de seu candidato a vice, o senador Aloysio Nunes (SP), e do candidato do PSDB ao Palácio dos Bandeirantes, governador Geraldo Alckmin.

Em meio ao corpo a corpo, Aécio Neves voltou a criticar a candidata do PSB. Desta vez, o presidenciável classificou a candidatura de Marina de "sucessão de improvisos". Ele também sugeriu que a adversária se deixa influenciar por "pressões".

"Eu vejo na candidatura de Marina uma sucessão de improvisos, disse hoje uma coisa e amanhã se diz o oposto, a partir de determinadas pressões. Nós temos um projeto amplamente discutido no Brasil afora e, sem dúvida, o melhor projeto, não apenas para vencer as eleições, porque a mudança ela não se encerra no dia das eleições. A mudança se inicia no primeiro dia do próximo mandato”, enfatizou.

Já em relação a Dilma, Aécio disse estar convencido de que a presidente da República perderá as eleições. “[Dilma] Deixou o Brasil em um quadro de inflação, saindo do controle, recessão técnica e uma perda enorme da credibilidade do país junto a outros agentes econômicos", opinou.

(*) O Datafolha fez 2.874 entrevistas em 178 municípios nestas quinta (28) e sexta (29). A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Isso significa que, se forem realizados 100 levantamentos, em 95 deles os resultados estariam dentro da margem de erro de dois pontos prevista.A pesquisa foi encomendada pela TV Globo e pelo jornal "Folha de S.Paulo" e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00438/2014.

 

 

G1