'Marcha das Vadias': Mulheres caminham em JP contra 'violência obstétrica' e por legalização do aborto

'Marcha das Vadias': Mulheres caminham em JP contra 'violência obstétrica' e por legalização do aborto

Neste sábado, 16 de agosto, aconteceu a 3ª edição da Marcha das Vadias João Pessoa, que tem como finalidade despertar a sociedade e as autoridades para o debate sobre os direitos sexuais e reprodutivos da mulher. O ato teve concentração no monumento Pedra do Reino, na Lagoa, a partir das 09h e de lá partiu em marcha até a Praça Rio Branco.

Cerca de 150 pessoas caminharam pacificamente pelas ruas do Centro da cidade. A grande maioria das mulheres andavam sem camisas, apenas de sutiã, com frases de efeito em cartazes ou pintadas no corpo. Duas mulheres marchavam com os seis de fora, coloridos com tinta.

Nesta edição, defensores e defensoras dos direitos das mulheres marcham contra a violência obstétrica e pela legalização do aborto, buscando chamar a atenção para as vidas que se encerram ou que se iniciam de forma traumática no país em decorrência de abortos ilegais e cesáreas eletivas. Os números impressionam: o aborto é a quinta causa de mortalidade materna no país - são 200 mil mortes por ano, segundo a ONU - e, de acordo com os Indicadores e Dados Básicos (IDB) 2012, mais de 80% dos nascimentos neste ano foram por cesárea, muito mais que o patamar aceitável de 15% recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Vale ressaltar que, mesmo quando bem sucedida, a cirurgia ainda pode acarretar em inúmeras consequências para o desenvolvimento da criança e a saúde da mãe.

As mortes por aborto de risco e cultura cesarista imposta por grande parte dos médicos no país evidenciam a emergência da luta das mulheres. Marchamos pelos direito de escolha, pelo poder de decisão sobre nossos corpos, pela autonomia e empoderamento.

O evento é uma iniciativa independente e não está ligada a ONGs, redes, sindicatos ou partidos políticos.

Marcha das Vadias

O movimento Marcha das Vadias surgiu no ano de 2011 no Canadá, em um movimento de reação a uma atitude local de culpabilização da vítima em relação às violências sexuais, uma vez que, após diversos casos de abuso sexual em mulheres na Universidade de Toronto, o policial responsável pela segurança no campus sugeriu que se as mulheres não se vestissem como vadias não haveria tantos casos de violência sexual. O primeiro protesto levou 3 mil pessoas às ruas de Toronto.

No Brasil, a Marcha não se limitou a esta bandeira do fim da culpabilização das vítimas de violência e foi incorporando outros temas. No município de João Pessoa, a primeira Marcha das Vadias aconteceu no dia 09/06/12. Foi uma manifestação muito importante, porque na época havia um contexto de indignação contra o crescente índice de violência contra mulheres e meninas. Além disso, no Mapa da Violência de 2012¹, a Paraíba ocupava o 4º lugar em casos de homicídios contra mulheres e João Pessoa estava na 12ª posição.

A segunda edição aconteceu em agosto de 2013. Marchamos pelo fim da violência contra a mulher e contra o Estatuto do Nascituro. Demonstramos nossa indignação diante do fundamentalismo religioso dos parlamentares brasileiros que ameaçava minar os direitos conquistados pelas mulheres - inclusive o das vítimas de estupro que engravidaram, que com a mudança sugerida pelo estatuto perderiam o direito de realizar o aborto seguro.

 


Pedro Callado / Mônica Ermínio, com informações de Assessoria